A doença infecciosa mais letal

A tuberculose é, actualmente, a doença infecciosa mais letal, responsável por 1,6 milhões de mortes em 2017, a maioria em países desenvolvidos. E esta não é a parte mais assustadora. Um número crescente de pacientes está a desenvolver tuberculose multi-resistente, que mata mais pessoas do que qualquer outro agente patógeno resistente a medicamentos.

A persistência da tuberculose (TB) é a razão pela qual a Assembleia Geral das Nações Unidas realizou a sua primeira reunião de alto nível sobre tuberculose, em Setembro. Os especialistas esperam que este encontro desencadeie um influxo de dinheiro e atenção para o tratamento e diagnóstico de uma doença há tanto tempo negligenciada.

Outras doenças têm atraído grande parte da atenção da comunidade académica nos últimos anos. O HIV (vírus da imunodeficiência humana), responsável por, aproximadamente, 1,3 milhões de mortes no ano passado, tem recebido muita atenção e recursos canalizados há décadas, e já foi objecto de três dessas reuniões de alto nível (a primeira das quais realizada em 2006). Só agora os investigadores começam a reconhecer o perigo do recrudescimento da tuberculose.

«A acção não é garantida, mas estas reuniões geralmente traduzem-se em mais atenção, e com a atenção vem a escala, a pressão e mais recursos», segundo Lucica Ditiu, directora executiva da Parceria Stop TB. Os especialistas esperam que esta reunião leve ao aumento do diagnóstico e tratamento dos 3,6 milhões de pessoas que contraíram tuberculose em 2017.

A reunião já estimulou algumas acções: a Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional anunciou que iria destinar 60 milhões de dólares para combater a tuberculose em todo o mundo.

A tuberculose é uma infecção pulmonar causada por bactérias transportadas pelo ar; é mais comum ser contraída por pessoas com um sistema imunológico enfraquecido e que vivem em condições de vida precárias.

É uma doença tratável, mas muito raramente detectada. Cerca de 40% dos casos de tuberculose nunca são diagnosticados, o que significa que as pessoas transmitem a doença a outras sem perceber. Há também um grande número de pessoas que carrega uma forma latente da doença, que pode surgir mais tarde na vida quando o sistema imunológico do indivíduo é suprimido, como durante a gravidez ou quando se é submetido a quimioterapia.

A taxa de mortalidade por tuberculose é, em média, de 12%, mas esse número salta para os milhões de pacientes quando não recebem tratamento. As mortes por tuberculose estão concentradas em países pobres, com a Índia, a China, a Nigéria, a África do Sul, o Brasil e o Bangladesh.

Embora já se saiba como tratar a tuberculose há mais de 40 anos, o coquetel de medicamentos não se desenvolveu muito desde então, e a maneira de diagnosticar a doença praticamente não mudou desde o início do século XX. O tratamento requer um misto de antibióticos tomados por um período mínimo de seis meses e, para casos de tuberculose resistente a medicamentos, até dois anos. Para estirpes de TB altamente resistentes aos medicamentos, esses tratamentos podem chegar aos cinco anos.

A duração das tomas de antibióticos é o principal culpado pela crescente resistência aos medicamentos. Se já não se esquecer de todas as tomas durante uma semana é uma sorte, imagine como é difícil fazer com que os pacientes concluam um tratamento que pode durar anos, especialmente nos países com sistemas de saúde precários onde a tuberculose prevalece.

Quando os pacientes deixam de tomar os antibióticos precocemente, correm um elevado risco de desenvolver resistência aos medicamentos e, consequentemente, transmitir essa resistência a outras pessoas. Pior ainda, esses medicamentos têm efeitos colaterais brutais; metade dos doentes poderá perder a audição, por exemplo.

Mas nem tudo é negativo: quando feito correctamente, o tratamento da TB é mais de 85% efectivo e, desde 2000, o diagnóstico e a dispensa de cuidados salvou cerca de 54 milhões de vidas. Com precaução, o tratamento da tuberculose pode assistir a grandes avanços ainda durante o século XXI.

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