A humilhação do «nim»

O Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, teve o cuidado de dizer que nenhuma das partes está a ser humilhada, mas a Cimeira de líderes em Bruxelas será um momento difícil para o Reino Unido, no mínimo uma derrota, porventura humilhação comparável à Crise do Suez, em 1956, quando uma operação militar sem consentimento americano teve de se ser interrompida.

A primeira-ministra Theresa May vai pedir uma extensão do prazo de saída, regressará provavelmente a Londres com um adiamento longo e flexível, para retomar negociações com os Trabalhistas sobre um plano político. O Parlamento de Westminster foi até agora incapaz de cumprir o mandato popular do Brexit, mas já está a conspirar em busca do próximo primeiro-ministro. O país está dividido e há uma quase unanimidade mediática segundo a qual a saída da UE representa uma catástrofe sem paralelo.

O Reino Unido é a segunda maior economia da UE e a quinta maior do mundo. Não pertence à zona euro e tem défice comercial com a União, pelo que as regras de comércio que passam a existir num cenário de saída sem acordo serão sobretudo más para a UE.

Se o Brexit for anulado, nunca saberemos se ele era possível. A política britânica ficará envenenada por uma década, ou mais, e a UE passa a ser a única organização do mundo de onde não é possível sair. O povo votou «não», Westminster impôs o «nim», isto vai provocar o cinismo dos eleitores, que passam a dizer que o seu voto não conta. Pior que tudo o resto, transforma os britânicos de europeus relutantes em europeus insatisfeitos, encurralados e sem saída.

Mais Notícias
Comentários
Loading...