Alterações Climáticas: UE com objectivo “zero” até 2050

A União Europeia espera tornar-se a primeira grande economia a tornar-se “neutra em relação ao clima” até 2050. Segundo o plano, as emissões de gases com efeito de estufa após essa data terão de ser compensadas com o plantio de árvores ou o encarceramento de gases no subsolo.

Segundo os cientistas, as emissões zero até 2050 são necessárias para ter uma hipótese de manter as temperaturas globais abaixo de 1,5ºC neste século.

A UE diz que a medida também reduzirá em 40% as mortes prematuras por poluição atmosférica.

O que é neutralidade climática?

A neutralidade climática significa que as emissões são equilibradas por métodos de remoção de gases aquecidos da atmosfera. Assim, as emissões que são geradas pelos carros e centrais eléctricas devem ser neutralizadas através do plantio de novas florestas ou por tecnologias de captura de carbono que permitam enterrar o CO2 no subsolo.

Chegar a este ponto exige grandes cortes nas emissões actuais. Desde 1990, a UE reduziu a sua pegada em mais de 20%, enquanto as economias dos Estados-membros continuaram a ver os números crescer.

Bruxelas estabeleceu metas de redução em 40% para 2030, mas agora pretende ir ainda mais longe, ao anunciar que o seu objectivo é tornar-se neutra até 2050.

Como será possível?

A UE definiu oito cenários para os Estados-membros reduzirem as suas emissões de gases com efeito de estufa, sendo que duas dessas estratégias permitirão que a Europa se torne neutra em relação ao clima. O objectivo, segundo a Comissão Europeia, é passível de ser alcançada com as tecnologias já existentes, como a energia solar e a eólica, que teriam de ser optimizadas por forma a fornecer até 80% da electricidade necessária. Medidas de eficiência energética, como o isolamento nas residências, também precisariam de ser reforçadas para reduzir o consumo de energia para metade em meados do século.

«Com este plano, a Europa será a primeira grande economia do mundo a atingir emissões zero até 2050», disse o comissário de clima da UE, Miguel Arias Cañete. «Temos todas as ferramentas para sermos ambiciosos.»

A UE está consciente de que sairá caro alcançar os objectivos do acordo de Paris, mas acredita que, uma vez alcançado, as economias serão impulsionadas em 2% do PIB até 2050. A par disso, estima-se uma redução da importação de energia em mais de 70%.

 

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