António Costa admite segunda ‘geringonça’ no próximo mandato

Em entrevista à SIC, primeiro-ministro fechou as negociações com enfermeiros e admitiu requisição civil para acabar com greves às cirurgias.

O primeiro-ministro António Costa afirmou numa entrevista à SIC, na terça-feira, que não é possível continuar as negociações com os enfermeiros. Neste conflito, acrescentou, o seu governo foi até ao limite do que podia aceitar. O Governo pondera uma requisição civil para acabar com as greves às cirurgias, recusando as reivindicações dos enfermeiros de revisão do salário no início da carreira, de 1200 euros para 1600 euros mensais: o valor está fora de causa, «é insustentável», disse o primeiro-ministro, que ameaçou igualmente recorrer à justiça contra a Ordem dos Enfermeiros, por violação da lei das ordens profissionais.

Na entrevista à SIC, António Costa admitiu aumentos para todos os funcionários públicos, à semelhança do que aconteceu este ano para os salários mais baixos. No entanto, isso só será possível em 2020 e se o país mantiver a trajectória de crescimento. Costa reconheceu que há motivos para descontentamento, pois na função pública muitas carreiras estão bloqueadas. Por isso, no caso do cenário macroeconómico dos próximos quatro anos o permitir, é possível retomar «a normalidade», disse o primeiro-ministro.

Em relação às eleições europeias, António Costa estabeleceu o objectivo de obter para o PS um resultado melhor do que o de António José Seguro em 2014. Numa referência aos cenários para as legislativas, o primeiro-ministro explicou que pretende vencer «com o melhor resultado possível», mas reconheceu que a maioria absoluta será impossível, o que abre a porta a um entendimento semelhante ao actual, de apoio parlamentar dos partidos de esquerda e popularmente conhecido por ‘geringonça’. «Eu, por mim, sigo em frente», disse António Costa.

Questionado sobre o abrandamento da economia portuguesa e da zona euro, o primeiro-ministro afirmou que esta desaceleração estava prevista e sublinhou os «sinais de grande confiança no futuro da economia portuguesa», nomeadamente os dados sobre o investimento. A prioridade do Governo continua a mesma: «crescimento, bom emprego, reduzir as desigualdades e ter contas certas». Sobre a continuidade de Mário Centeno no Executivo, António Costa garantiu não ter recebido «nenhum sinal» de que o ministro das Finanças queira deixar o Governo.

 

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