Caos informático no Serviço Nacional de Saúde

A Federação Nacional dos Médicos denunciou o caos do serviço informático no Serviço Nacional de Saúde: falhas, bloqueios e programas a “ir abaixo” fazem parte do dia-a-dia dos profissionais de saúde, quando o papel deixou de ser uma opção.

A Federação Nacional dos Médicos considera que “tem sido constante a incapacidade dos sucessivos governos em «informatizar sem perturbar»” desde o início da informatização do SNS.

Tantos nos Centros de Saúde como nos hospitais são constantes os atrasos em consultas por questões meramente técnicas. Os médicos têm diariamente à sua frente distintos programas informáticos para prestar cuidados a um só doente: para passar receitas, para registar informação médica no internamento e consulta, para registar informação no serviço de urgência, para registo de saúde electrónico, para requisitar transporte de doentes, para consultar análises, para emitir pedidos de meios complementares de diagnóstico (cada tipo de exame tem a sua aplicação) e assim por diante… Juntando a este leque os problemas nos programas que “frequentemente «vão abaixo», bloqueiam ou simplesmente não funcionam” ou computados também obsoletos e lentos torna-se uma conjugação que dificulta a vida a quem tenta dar uma consulta. A Federação refere que a opção seria usar papel, mas este foi “proibido” e assim, tanto o médico como o utente ficam “completamente reféns do sistema”.

A FNAM considera que “as aplicações informáticas não podem constituir obstáculos à relação médico-doente, nem podem desviar-se da sua função principal como sistemas de apoio. Ora a implementação dos sistemas de informação no SNS tem-se caracterizado pela total displicência, uma ausência de respeito pelos profissionais, graves atentados à privacidade dos cidadãos e por um nepotismo tutelar que colocam em grave risco a qualidade dos cuidados de saúde prestados aos nossos doentes”.

A Federação Nacional dos Médicos já pediu responsabilidades à gestão dos sistemas de informação pela sua conduta, assim como a rápida intervenção da Ministra da Saúde.

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