Catalunha provoca crise no Governo espanhol

Partidos da direita exigem demissão de Pedro Sánchez, por ter sido criada uma figura de «relator» no diálogo entre as formações independentistas e constitucionalistas.

A oposição em Espanha está a organizar uma grande manifestação para domingo, visando exigir eleições antecipadas e a demissão do governo. Os três grandes partidos da direita, PP, Ciudadanos e Vox ,acusam o Executivo de Pedro Sánchez de «deslealdade» e «incompetência», por este ter aceite a ideia de existir um «relator» no diálogo entre partidos sobre a Catalunha. Para o líder do PP, Pablo Casado, Sánchez é um primeiro-ministro «ilegítimo, por pactuar com golpistas e deixar-se chantagear por aqueles que querem romper relações com a Espanha». Albert Rivera, do Ciudadanos, defende a criação de uma «frente cívica» e exige eleições.

Esta posição de força surge após os esclarecimentos da vice-presidente do Governo, Carmen Calvo, segundo a qual o «relator» para a Catalunha «não é um mediador, pois não existe um conflito internacional. Há uma mesa onde se vão sentar os partidos da Catalunha e que utilizará uma pessoa para ajudar a organizar e negociar», explicou a ministra. A direita não aceitou as explicações e considerou que esta é a prova de que «existe um acordo entre Sánchez e os separatistas». No fundo, dizem, a relação entre Espanha e Catalunha passa a ser bilateral.

Os socialistas estão divididos sobre esta figura do «relator», há notícias de contestação no próprio Executivo, mas a retórica mais feroz veio de Casado, que acusou o primeiro-ministro espanhol de ser o «ocupa da Moncloa» e de só pensar «no seu umbigo, nas suas casas, nos seus palácios, no seu avião e na sua cadela. E com a minoria mais exígua da democracia querer reescrever a história da Espanha».

O PP ainda não digeriu a moção de censura com que Sánchez derrubou o governo de Mariano Rajoy, apesar de ser apenas o segundo partido mais votado nas eleições de 2016. O PSOE formou em Junho um governo minoritário que depende do apoio parlamentar do Podemos e dos votos dos partidos independentistas catalães. Aliás, o governo enfrenta dificuldades para aprovar o orçamento, que irá a votos na próxima semana e que só passará se os republicanos e os liberais catalães assim o permitirem.

Se esta crise provocar eleições antecipadas, o PSOE lidera as sondagens, mas agora torna-se demasiado evidente o dilema fundamental de Sánchez (para o qual muitos socialistas avisaram): não pode governar sem os separatistas, também não pode governar com eles. A sua única vantagem é a circunstância de não haver uma estratégia única da oposição. O PP queria apresentar uma moção de censura, mas não teve o apoio do Ciudadanos. Os populares perderam nos últimos meses muitos votos para os outros dois rivais da direita, o que justifica a impaciência de Casado e a atitude mais prudente de Rivera.

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