Cientistas descobrem enorme cavidade num glaciar da Antártida

Eventual colapso do gelo provocado pelo aquecimento global elevaria em 65 centímetros o nível dos oceanos em todo o planeta.

O que parecia ser uma superfície branca e estável é na realidade uma estrutura esvaziada, em perigo de colapso. Investigadores americanos que analisaram dados de radares da NASA capazes de penetrar no gelo, além de informação de radares europeus, descobriram que um dos mais importantes glaciares da Antártida, o Thwaites, contém uma imensa cavidade com dezenas de quilómetros quadrados e um mínimo de 300 metros de altura.

Todo o gelo do espaço interior, que se calcula em 14 mil milhões de toneladas, derreteu em apenas três anos, em consequência do aquecimento da atmosfera. A descoberta, publicada na revista Science Advances, foi feita por cientistas da Universidade da Califórnia e da NASA, que esperavam encontrar buracos no gelo, mas não na escala agora identificada.

Sensivelmente do tamanho da Flórida, o glaciar de Thwaites é o responsável por 4% do aumento do nível dos oceanos e o gelo que contém seria suficiente para elevar o nível do mar em 65 centímetros. Este glaciar também funciona como travão dos movimentos de glaciares próximos, pelo que o seu eventual desaparecimento poderia desencadear uma subida dos oceanos superior a 2,4 metros.

A investigação que permitiu perceber a estrutura interna do glaciar sugere que o ritmo do degelo pode estar a acelerar devido à forma irregular como se processam os movimentos de avanço e recuo do glaciar, fruto das diferenças de massa do gelo e das interacções com o mar.

A análise dos resultados deste caso também indica que os modelos até agora usados na medição das cavidades dos glaciares afectados pelo aquecimento global podem ter subestimado as perdas que ocorrem em todo o mundo.

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