Colapso da UE admitido por metade dos europeus

Um estudo feito em 14 países mostra uma Europa pessimista, com muitas pessoas zangadas e inseguras, que admitem o regresso de cenários de guerra.

Sondagens feitas a nível europeu davam a ideia de que os europeus estavam francamente optimistas em relação ao futuro da UE, mas um estudo divulgado esta semana pelo Conselho Europeu de Relações Externas (ECFR) mostra um cenário mais sombrio do que se pensava. Um número surpreendente de pessoas admite que a União Europeia pode desaparecer num período de 10 a 20 anos. O cenário de colapso é considerado realista por mais de metade dos alemães, dos franceses e dos italianos. Muitos europeus falam em possibilidade de guerras na Europa (por volta de um terço nos maiores países) e, em França, o número dos que se dizem zangados é superior ao dos que se consideram seguros.

O pessimismo dos europeus pode parecer surpreendente, sobretudo quando recordamos o Eurobarómetro da Primavera, uma megasondagem que ouviu a opinião de 28 mil europeus e concluiu que 68% consideravam que a União Europeia trouxe benefícios para os seus países. Portugal estava acima da média, com 69% dos inquiridos a dizerem que a integração na UE era uma coisa positiva, havendo apenas 5% de portugueses a darem nota negativa.

O estudo do ECFR não inclui dados sobre Portugal, mas baseia-se numa sondagem realizada pelo YouGov em 14 países, incluindo todos os de maior dimensão (excepto Reino Unido). O eventual colapso da União Europeia num prazo entre 10 e 20 anos é admitido por mais de metade dos inquiridos, concretamente por 58% dos franceses, 50% dos alemães, 57% dos italianos e polacos. A excepção a este pessimismo é a Espanha, onde apenas 40% consideram realista essa possibilidade.

Na questão sobre o que se perdia se a UE desaparecesse, a maioria das respostas (38%) menciona a liberdade de comércio e a liberdade de viajar. Curiosamente, só 20% dos inquiridos lamentam a perda do euro e só 18% se referem à democracia e Estado de Direito. Pelo menos 8% dizem que não se perdia nada de especial. Um em cada três inquiridos, com pequenas oscilações conforme os países, considerou realista a possibilidade de uma guerra, com valores mais altos nos países da Europa Central (27% na Alemanha, 35% em França e 33% na Polónia). Os mais jovens são mais pessimistas nesta matéria de conflito, com uma proporção maior de simpatizantes de partidos de extrema-direita.

O estudo incluiu perguntas sobre o estado de espírito dos europeus e os resultados dão matéria de reflexão. Em França, por exemplo, o número de pessimistas é semelhante ao de optimistas (20%), mas o número dos que se dizem inseguros é elevadíssimo (35%), como é alarmante a proporção dos que se afirmam zangados (10%).
O ECFR é um centro de estudos ligado à União Europeia e este estudo deverá ajudar a explicar alguns dos resultados eleitorais que, segundo as últimas sondagens, podem surgir nas próximas eleições europeias, com subidas acentuadas dos partidos de protesto.

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