Crescem as pressões para se lançar um processo de destituição contra Trump

A Casa Branca resiste a qualquer investigação do Congresso e muitos democratas consideram que há uma clara obstrução de justiça que justifica punir o Presidente.

Legisladores do Partido Democrata estão a fazer intensa pressão no sentido de ser lançado um processo de destituição contra o Presidente Donald Trump. A questão deverá ser discutida esta quarta-feira, após um ex-conselheiro da Casa Branca, Donald McGahn, ter recusado na véspera comparecer perante o Congresso, desobedecendo à intimação oficial.

O agravamento do conflito é consequência da publicação do relatório do conselheiro especial Robert Mueller, que investigou o alegado conluio entre a campanha do actual presidente e a Rússia, sem encontrar provas de qualquer relação. A investigação evoluiu de suspeita de conluio para obstrução de justiça.

McGahn saiu da Casa Branca em Outubro e terá recebido instruções para não comparecer no Congresso. Trump prometeu contestar qualquer intimação que o Congresso venha a emitir ligada a investigações adicionais sobre o relatório, justificando a intenção com o facto de ter permitido que todos os elementos da sua administração testemunhassem perante o conselheiro especial. Para os democratas, isto é claramente obstrução de justiça, crime que justifica a destituição de um presidente.

O caso está a provocar uma verdadeira crise constitucional. A comissão de justiça da Câmara dos Representantes quer aprofundar a investigação Mueller e emitiu 81 intimações a testemunhas. Os democratas também contestam as conclusões do Procurador-geral William Barr (nomeado por Trump), que recebeu o relatório Mueller e ilibou a Casa Branca de qualquer crime.

Os democratas, que controlam a Câmara dos Representantes, poderão acusar Barr de desrespeitar o Congresso (acusam-no de ter mentido aos eleitos) e dizem que as intimações não são opcionais. Até agora, a líder do partido, Nancy Pelosi, resistiu ao avanço de um processo de destituição, mas a pressão dos legisladores está a intensificar-se, havendo até alguns republicanos que poderiam apoiar a iniciativa.

Há democratas que querem investigar o Presidente em relações a outras situações, mas o partido está dividido sobre a estratégia a seguir. Um eventual processo de destituição seria um tema obsessivo da campanha das presidenciais de 2020, que terá os seus momentos cruciais na primeira metade do próximo ano. Um processo de destituição dependerá do apoio dos republicanos que controlam o Senado, algo que não se vislumbra, pois o eleitorado de Trump define muitas eleições para o Congresso.

Um eventual processo de destituição seria traumático para um país que já está muito dividido e podia virar-se facilmente contra os democratas. Sem o conluio com a Rússia, os possíveis crimes de obstrução de justiça (que até podem não ter existido) são relativamente incompreensíveis para uma opinião pública cada vez mais satisfeita com a economia. Tão perto de eleições, parece que a estratégia da destituição tem elevados riscos.

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