Degelo polar tem efeitos mais sérios no aquecimento global

Estudo da Nature mostra que políticas ambientais subestimaram o verdadeiro impacto do recuo dos gelos da Antárctida e Gronelândia

O degelo da Gronelândia e Antárctida deverá acentuar os desequilíbrios que provocam os fenómenos climáticos extremos, afirma-se num estudo publicado pela revista Nature. Esta investigação foi a primeira a simular, até 2100, o efeito na temperatura e circulação dos oceanos e atmosfera que o recuo dos gelos polares vai provocar. Sem alterações das actuais políticas ambientais, calcula-se que a temperatura global possa subir em média 3 ou 4 graus centígrados em relação aos níveis anteriores à Revolução Industrial, mais do que se pensava. O trabalho envolveu investigadores da Nova Zelândia, Canadá, Reino Unido, Estados Unidos e Alemanha.

O desaparecimento do gelo não terá consequências homogéneas em todo o planeta, afirmam os cientistas. Os modelos indicam que a subida dos oceanos não acontece de maneira uniforme, havendo zonas onde haverá um grande aumento do nível do mar e outras onde até pode ocorrer uma redução, mas o efeito potencialmente mais perturbador será a interrupção de correntes oceânicas globais, causando o aquecimento da América Central e Ártico, mas arrefecimento na Europa Ocidental.

A investigação sugere que as políticas climáticas aprovadas no Acordo de Paris não levam em conta a totalidade dos efeitos prováveis do degelo que está a ocorrer na Gronelândia e Antárctida, havendo um fenómeno de aceleração dos impactos alimentado pela simples continuação do recuo do gelo.

O estudo da Nature foi parcialmente financiado pela agência espacial americana, NASA, segundo a qual os últimos cinco anos foram os mais quentes da éoca moderna. Em 2018, o ano mais quente de que há registo, a temperatura global foi 0,8 graus Celsius superior à média do período entre 1951 e 1981. Ou seja, foi um ano extremamente quente, dentro de uma tendência que aponta para a aceleração do aquecimento global. Desde 1880, a média da temperatura global cresceu pelo menos um grau, consequência das crescentes emissões de gases com efeito de estufa produzidos pela Humanidade. Esta alteração aumenta a frequência dos episódios climáticos extremos.

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