Depois das eleições, líderes escolhem os dirigentes da UE

Os chefes de Governo vão decidir quem ocupa os principais cargos nas instituições europeias, mas França e Alemanha têm posições muito diferentes.

Após as eleições para o Parlamento Europeu, que resultaram na redução da influência das duas grandes famílias dominantes na anterior legislatura (socialistas e democratas-cristãos), a UE entra numa fase de escolha dos dirigentes de topo e discussão do orçamento. Estes temas estarão no topo da agenda dos líderes, que se reúnem esta terça-feira, numa cimeira em Bruxelas.

França e Alemanha discordam na interpretação dos resultados eleitorais e na escolha do nome que irá presidir à Comissão Europeia, o cargo mais importante de um pacote de posições que inclui ainda os presidentes do Conselho, do BCE e do Eurogrupo, além dos principais comissários.

Se vingar a tese alemã, o próximo chefe do executivo europeu será Manfred Weber, o bávaro que chefiou durante a campanha eleitoral a família de partidos democratas-cristãos, Partido Popular Europeu, que elegeu 180 eurodeputados e foi o grupo mais votado. Os alemães querem aplicar a figura do Spitzenkandidat (usada em 2014), mas que não existe nos tratados, segundo os quais a escolha do presidente da comissão é da exclusiva competência dos chefes de governo, que votam em conselho europeu, levando em consideração os resultados eleitorais (formulação que não os obriga a escolher o candidato do partido mais votado).

Se vingar a tese francesa, o próximo presidente da Comissão será uma figura capaz de fazer as pontes para os grupos socialistas, verdes e liberais, sobretudo os dois últimos, que tiveram bons resultados. A França lidera um grupo de países que poderá apoiar o negociador do Brexit, Michel Barnier, um conservador com personalidade afável, que teria vantagens, face a Weber, na relação com liberais e socialistas.

Uma coisa parece evidente: no próximo pacote de dirigentes de topo nas instituições europeias, terá de haver lugar para socialistas, liberais e até para ambientalistas. Os partidos do centro serão vitais para construir maiorias.
Se os italianos e britânicos acabarem por sair do grupo dos socialistas e democratas, o segundo maior do parlamento, o PS português será o terceiro partido mais forte dessa família, o que provavelmente dará algum acréscimo de influência. António Costa já declarou que não apoia Manfred Weber e que prefere o socialista Frans Timmermans.

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