Substâncias tóxicas: Diga bom dia com o cheiro a formaldeído

Estamos expostos, regra geral, a mais de 80 mil químicos que se encontram em produtos à venda no mercado que nunca foram testados quanto à sua segurança.

“Stink” é um documentário sobre a indústria de fragrâncias. Na verdade, é sobre produtos químicos tóxicos, com especial incidência nos desodorizantes, cuja composição contém químicos sintéticos.

Segundo este documentário, há uma lacuna legal que permite que as empresas escondam as substâncias químicas tóxicas por trás da palavra “fragrância”, alegando que é uma “receita secreta”. Se os consumidores conhecessem os químicos que compõem a fragrância, provavelmente não comprariam o produto. Uma empresa que não tem nada a esconder não tem medo de listar os ingredientes — até mesmo aqueles que conferem a fragrância.

Efeitos no cérebro

Quando as pessoas são expostas a determinados químicos, os seus cérebros sofrem alterações, particularmente devido aos efeitos cumulativos.

De acordo com um relatório do Comité de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Representantes dos EUA, aproximadamente 95% dos químicos utilizados em fragrâncias são compostos sintéticos derivados do petróleo, e, consequentemente, potencialmente perigosos.

Os produtos químicos à base de petróleo podem causar efeitos nocivos no sistema nervoso e imunológico após exposição prolongada. Doenças identificadas em pesquisas médicas incluem cancros em adultos e crianças, numerosos distúrbios neurológicos, enfraquecimento do sistema imunológico, distúrbios auto-imunes, asma, alergias, infertilidade, aborto espontâneo e transtornos de comportamento infantil, incluindo dificuldades de aprendizagem, retardo mental e transtorno do déficit de atenção com hiperactividade (TDAH).

Exames por tomografia computadorizada (SPECT) mostraram manchas escuras visíveis no cérebro de uma pessoa com sensibilidade química múltipla (MCS) que entrou em contacto com esses produtos químicos.

A sensação de que está com “brancas” pode não ser só devido à fadiga, mas ao perfume que alguém usa com regularidade ou às velas aromáticas. Não pense que está a envelhecer; na realidade está é exposto a demasiada toxicidade.

Heather Poole, autora do bestseller “Cruising”, é hospedeira de bordo e relata no seu livro que, há cerca de dois anos, a American Airlines distribuiu um novo uniforme que deixou mais de 5.000 funcionários doentes. Heather foi uma delas. Foi então que começou a debruçar-se sobre os produtos químicos tóxicos na tentativa de perceber o que estava a acontecer com ela. Os novos uniformes estavam impregnados de produtos que evitavam que se amarrotassem e, em simultâneo, que os tornavam mais duráveis. Uma dessas substâncias era o formaldeído: repelente de manchas, de água, etc.

No início da “crise dos uniformes”, a sua primeira reacção foi ter problemas de tiroide; começou a tossir e a ter problemas respiratórios e cardíacos e, frequentemente, sentia alfinetadas em todo o corpo. Posteriormente, começou a ter reacções ao perfume que usava. E o seu palpite foi que a fragrância continha algumas das mesmas substâncias que a sua farda. Seria formaldeído, benzeno, cádmio? Heather Poole não sabia. Esse é o problema. Como evitar produtos químicos se não souber onde estão escondidos?

Como hospedeira de bordo, era impossível evitar perfumes no ambiente de trabalho. Pensemos agora em cada vez que entramos num hotel todo cheiroso? Ou nas companhias aéreas que já estão a pensar lançar “aromas de assinatura” durante os voos? Como irão reagir os passageiros frequentes?

Heather Poole viu-se forçada a mudar de carreira após 20 anos de serviço e advoga que todos deveríamos ver o documentário “Stink”. Nele, ficamos a saber que a Lei de Controlo de Substâncias Tóxicas de 1976 foi aprovada para a maioria dos 80 mil produtos químicos a uso nos dias de hoje, isentando-os de serem testados quanto à segurança.

Mais de 1.300 substâncias são proibidas em produtos de higiene pessoal na União Europeia, enquanto 11 são restritos nos EUA. A Europa tem uma abordagem preventiva para gerir o uso de produtos químicos, onde os fabricantes são obrigados a provar a segurança antes de vender produtos com substâncias químicas. A abordagem dos EUA é oposta: os produtos químicos são inocentes até prova em contrário.

Ao contrário dos medicamentos prescritos (que passam por extensos testes de segurança), nenhuma aprovação pré-comercialização é necessária para produtos de higiene pessoal (incluindo perfumes).

O filme “Stink” começa numa manhã de Natal. Jon Whelan, o produtor do documentário, dá um presente às suas duas filhas: pijamas de uma loja popular para adolescentes. Os pijamas vêm com fragrância. Jon é um viúvo que perdeu a mulher em virtude de um cancro.  Por conseguinte, é cuidadoso com as suas escolhas. Preocupado com as substâncias químicas presentes nos pijamas, contacta a empresa, a Justice, para descobrir. Esse contacto leva a outros contactos e, consequentemente, a várias respostas, todas diferentes, todas ridículas. Os contactados recusam-se a identificar as substâncias, limitando-se a responder: «Não estamos a fazer nada de ilegal.»

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