Divergência digital afecta mundo do trabalho

Segundo a OCDE, os Governos precisam de investir em sistemas de formação que protejam os trabalhadores do avanço de tecnologias que contêm oportunidades, mas também riscos para os empregos.

Os governos devem intensificar a formação na área digital, para evitar o risco de aumentarem as desigualdades sociais, conclui um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), divulgado esta quinta-feira. A automação e a expansão da internet, associadas a baixas competências digitais dos trabalhadores, estão a contribuir para o desemprego e aumentam o fosso entre ricos e pobres.

O relatório investiga as competências digitais dos países da OCDE e conclui que Portugal está numa posição média, comparável à de países como Espanha, Itália, Alemanha ou Áustria, no que diz respeito à exposição dos trabalhadores a tecnologias digitais, no local de trabalho e em casa.

Uma das conclusões do relatório é de que há países bem preparados para as transformações em curso no mundo do trabalho. À medida que as empresas adoptam tecnologias digitais e avançam com a inteligência artificial e a automação, tendem a desaparecer trabalhos de rotina ou trabalhos braçais, surgem novas oportunidades de emprego. Em alguns países esta alteração está a ocorrer com mais facilidade para os trabalhadores. Em outros países, a força de trabalho não está preparada.

Os autores do estudo falam em «divergência digital», fenómeno crescente que se verifica entre trabalhadores, regiões e países. Daí a importância dos sistemas de formação, que em alguns casos, não estão preparados para o desafio (Portugal não está incluído neste grupo).

Os sistemas de educação vão ter de integrar estas mudanças e o mercado laboral terá de prever formação a longo prazo, afirma a OCDE. Mais de metade das ocupações (54%) estão em elevado risco de serem automatizadas e, em muitos casos, necessitam, para os seus trabalhadores, de formações que podem levar até mais de um ano.
A economia digital será uma das causas do aumento da desigualdade nos países da OCDE. Os números mostram que estas chegaram ao ponto mais elevado dos últimos 50 anos. Actualmente, nos países da OCDE, o rendimento dos 10% mais ricos é nove vezes maior do que o rendimento dos 10% mais pobres.

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