Dívidas altas estão a travar adaptação a mudança rápida

Num documento preparado pela equipa de Vítor Gaspar, Fundo Monetário Internacional alerta para viragem do ciclo económico.

O crescimento económico mundial está a abrandar e a dívida pública mantém-se muito alta, num contexto de alterações demográficas e tecnológicas que estão a modificar os padrões da economia global. Esta é, em síntese, a tese de um documento do Fundo Monetário Internacional, «Dívida Elevada Dificulta Resposta a uma Economia em Mudança Rápida», preparado pela equipa liderada pelo antigo ministro das Finanças português, Vítor Gaspar, e apresentado em Washington nos encontros da Primavera do FMI e Banco Mundial, que decorre esta semana, até domingo. Estes encontros, onde participam ministros e banqueiros centrais de todo o mundo, servem para debater questões económicas globais e preparar respostas coordenadas.

Cada país deve preparar-se para o próximo, mas a dívida elevada vai dificultar a capacidade de aumentar a despesa ou cortar impostos para responder a taxas de crescimento mais fracas, insiste o FMI, no documento da equipa de Gaspar. Isto exige uma melhoria das políticas fiscais e a criação de almofadas orçamentais. Os orçamentos deficitários vão mais tarde aumentar os serviços da dívida, tirando dinheiro às políticas de saúde e de educação. No texto recomenda-se a países menos endividados, como Alemanha e Coreia, que aumentem o investimento em infraestruturas.

O documento insiste no efeito das alterações tecnológicas, que estão a mudar os padrões de distribuição de rendimento e a ter fortes impactos nas finanças públicas. A demografia também está a alterar a economia global. Um exemplo: a despesa ligada ao envelhecimento da população pode consumir um quarto do PIB global em 2050. Combate à corrupção e a remoção gradual de subsídios a combustíveis são outras recomendações do FMI.

Os encontros da Primavera começaram esta semana com a apresentação das previsões sobre crescimento mundial, incluindo sobre a economia portuguesa, cujos números foram revistos em baixa. Portugal deverá crescer este ano 1,7%, menos 0,1 pontos percentuais do que a previsão anterior do fundo. A dívida vai descer mais devagar e o desemprego pode ficar acima das previsões do Governo, que aponta para 6,3%.

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