Economia portuguesa vai abrandar nos próximos cinco anos

Segundo o Conselho de Finanças Públicas, a taxa de desemprego mantém-se abaixo dos 6%, mas o crescimento e as exportações serão moderados.

A economia portuguesa deverá desacelerar de forma gradual ao longo dos próximos cinco anos, segundo as projecções do Conselho de Finanças Públicas para o período entre 2019 e 2023, divulgadas esta quinta-feira. O CFP espera um abrandamento provocado pela redução do ritmo do consumo privado e do consumo público, que acabará por se reflectir na diminuição da taxa de crescimento das exportações. A fragilidade interna pode limitar o espaço orçamental do governo.

O PIB português crescerá 1,6% este ano e no próximo, baixando depois para 1,5% e 1,4% nos anos seguintes. As exportações vão evoluir em valores pouco acima de 3% ao ano, com abrandamento no final do período, para apenas 2,6%. Portugal terá ao longo destes cinco anos uma taxa de desemprego baixa, inferior a 6%, mas a criação de novos postos de trabalho tenderá para um valor de apenas algumas décimas (0,3% em 2022, que compara com 2,3% no ano passado).

Segundo o documento do organismo independente que aconselha o Parlamento, «a economia portuguesa aparenta ter terminado a fase de expansão e estar a iniciar a fase descendente do ciclo num enquadramento internacional com riscos». A tendência reflecte um movimento mais geral das economias avançadas, em ambiente de incerteza que resulta dos conflitos comerciais entre EUA e China, consequências do Brexit e desaceleração das economias europeias e chinesa.

O Conselho de Finanças Pública antecipa uma degradação na componente não financeira da balança de pagamentos. Esta componente pode atingir em 2023 um valor negativo igual a 1% do PIB. O Governo deverá conseguir défices orçamentais baixos, até um excedente em 2021, será também possível reduzir a despesa pública, mas a dívida do Estado vai manter-se em níveis elevados.

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