Estado emprega um em cada sete trabalhadores

Crise destruiu 70 mil empregos públicos, mas socialistas já recuperaram 30 mil. A administração tem agora 690 mil pessoas. O mínimo, 656 mil, foi atingido em 2014.

Se os anos da troika reduziram o número de trabalhadores da administração pública em 70 mil, os anos da gerigonça aumentaram o emprego público em 30 mil. Esta conclusão pode retirar-se da consulta dos números oficiais publicados na quarta-feira pela Direcção-Geral da Administração e Emprego Público. No final do primeiro trimestre de 2019, Portugal tinha 690 mil trabalhadores na função pública, mais 15 mil do que no primeiro trimestre de 2018. Em 12 meses, o número de funcionários cresceu 2,3%, mas evoluiu mais depressa na administração regional e local, onde o ritmo de expansão dos empregos excedeu os 5%.

Quando Portugal enfrentou a bancarrota, em 2011, o número de funcionários na administração pública excedia os 727 mil. A troika impôs uma redução regular no emprego público, o que foi feito até se atingir o mínimo de 656 mil, no final de 2014. O valor subiu de forma marginal em 2015 e 2016, mas começou a crescer de novo em 2017. No ano passado, deu-se um salto significativo de 14 mil novos empregos públicos, resultando de um novo equilíbrio positivo entre entradas e saídas.

Se for feita a comparação entre Março de 2019 e Dezembro de 2011, o emprego público perdeu quase 38 mil elementos, sobretudo na administração central, onde há menos 30 mil funcionários (uma perda de 5,5%). Houve na realidade dois períodos: o da crise, com uma quebra que durou três anos e chegou a ultrapassar os 10%, seguindo-se depois um período de quatro anos, quase inteiramente da governação socialista, com uma recuperação de 5,1% no emprego público.

De acordo com o relatório onde se apresentam estes números, o aumento muito significativo do último ano e meio é consequência do processo de regularização extraordinária de vínculos precários, nos termos de uma lei publicada no final de 2017. Analisando por sectores, os maiores aumentos ocorreram na educação, ciência e saúde. A administração pública emprega actualmente 13,2% da população activa e 14,1% da população empregada, ou seja, um em cada sete trabalhadores.

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