Estado português é um dos mais falidos do mundo

Um estudo do Fundo Monetário Internacional refere que a riqueza pública portuguesa, medida pela diferença entre activos e passivos, é uma das mais negativas do mundo. Se o Estado fosse uma empresa estaria tecnicamente falido.

De acordo com o Monitor Orçamental do FMI o sector público português terá uma riqueza líquida negativa na ordem dos 40% do PIB, o que significa que os passivos superam os activos nessa proporção. Como tal, encontra-se na sétima pior posição num grupo de 69 países analisados. Os dados usados pelo FMI referem-se a 2016.

O FMI considera que estas contas podem ajudar a avaliar melhor a saúde financeira dos Estados do que, por exemplo, apenas a dívida pública e refere que os custos de financiamento soberanos (taxas de juro cobradas aos países) podem ser mais bem explicados pelos indicadores patrimoniais (a riqueza líquida do sector público) do que pela dívida pública.

De acordo com esta medida de riqueza líquida a Grécia aparece como o Estado mais falido, com um saldo negativo de 111% do PIB, com os passivos a superar os activos, e a Noruega, um dos países mais ricos do mundo e um grande produtor de petróleo, lidera esta lista com uma riqueza líquida equivalente a 348% do seu PIB.

Estes cálculos usam somente os dados relativos aos activos e passivos dos governos centrais e excluem responsabilidades com pensões e activos referentes a recursos naturais.

O FMI explica que isto assim é porque os países (os Estados) empobreceram bastante na última crise ao assumirem grandes responsabilidades com o sector financeiro e bancário. Como tal, apesar de a crise ter terminado, o FMI refere que os declínios modestos na riqueza pública continuaram após a crise financeira global, mesmo com a redução dos défices.

O FMI refere dados de 2012 também, em que em 31 Estados, Portugal aparecia com a pior situação patrimonial, sendo aqui incluída também a responsabilidade com pensões. A Noruega também nessa altura era o Estado em melhor situação financeira.

O FMI defende que esta nova abordagem para captar a posição patrimonial líquida dos Estados “fornece a visão mais abrangente da riqueza pública, mas é pouco compreendida, mal medida e apenas parcialmente gerida” e que “a maioria dos governos não fornece aos seus cidadãos” a necessária transparência sobre o que é que os Estados efectivamente detêm e devem e qual o grau de risco subjacente.


Este gráfico do Monitor Fiscal do FMI analisa a riqueza pública usando dados de 2016 de 31 países – da Gâmbia, para os Estados Unidos, além do Japão, Turquia, Brasil, Reino Unido e China, por exemplo, com activos a chegar a 219% do PIB.

Mais Notícias
Comentários