Eurostat confirma abrandamento na zona euro

A economia europeia cresceu apenas 1,2% em 2018, o pior resultado em cinco anos. A Itália entrou oficialmente em recessão.

O Produto Interno Bruto na zona euro cresceu apenas 0,2% no último trimestre de 2018, o que equivale a um crescimento anual de apenas 1,2% (contra 1,6% em 2017). Os números, divulgados esta quinta-feira pelo Eurostat confirmam a desaceleração significativa da economia europeia, sobretudo devido à queda da produção industrial na Alemanha, a recessão na Itália e a crise dos coletes amarelos em França.

Segundo o organismo estatístico europeu, a economia da zona euro ainda se expandiu a um ritmo razoável no primeiro trimestre do ano, de 2,2% face ao mesmo trimestre de 2017, mas o abrandamento fez-se logo sentir nos trimestres seguintes, com o abrandamento do ritmo a traduzir-se em 2,2, depois 1,6, até chegar aos 1,2% do quarto trimestre. Em ritmo anual, no mesmo período, a UE28 cresceu a um passo de 1,5%, o que se explica pela relativa robustez de alguns países de leste que estão fora do euro.

Entretanto, em Itália, foram divulgados os números do crescimento do PIB no quarto trimestre e confirmou-se que o país está em plena recessão (com dois trimestres consecutivos de queda do produto). O primeiro-ministro Giuseppe Conte já admitiu que esta situação pode continuar em 2019. O Governo mostra grandes divisões internas e tentou aprovar um orçamento expansionista, que a UE contestou, desencadeando uma reacção dos mercados que forçou Roma a recuar parcialmente.

O caso alemão é diferente: a produção industrial continua em queda, mas o país evitou ter dois trimestres consecutivos de redução do PIB (a economia decresceu no terceiro trimestre, mas subiu ligeiramente no quarto). A Alemanha está em estagnação ou numa desaceleração severa, havendo dúvidas sobre se este fenómeno é cíclico ou temporário.

A produção industrial caiu por causa da legislação sobre o diesel, pois a indústria teve de se adaptar a uma decisão de Hamburgo, tomada em Maio, de interditar em certas ruas da cidade a circulação de automóveis com motores daquele tipo. A indústria automóvel representa 14% da economia alemã e tem grande peso nas exportações, mas é provável que este problema temporário não seja o único a provocar a desaceleração. A China está a reduzir as suas importações alemãs e a França atravessa um período de crise social que pode ter efeitos económicos prolongados.

O abrandamento económico na zona euro ainda não incorpora factores de maior incerteza, como a guerra comercial entre China e Estados Unidos ou a tendência de maior proteccionismo no comércio global, mas sobretudo ainda não contabiliza os eventuais efeitos negativos do Brexit, sobretudo se o Reino Unido sair da UE de forma descontrolada. Se não houver acordo, o abrandamento europeu pode facilmente transformar-se numa recessão prolongada.

 

 

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