Familiares no poder estragam imagem do Governo

PS está em queda nas intenções de voto, PSD encurtou distância em mais de cinco pontos percentuais. Cenário político regressa a 2015.

A opinião pública portuguesa está a reagir às notícias sobre relações familiares dentro do Governo e isto parece ser muito prejudicial para António Costa. Segundo o barómetro da Aximage de Abril, publicado pelo Jornal de Negócios e Correio da Manhã, a diferença entre os dois maiores partidos sofreu uma redução superior a cinco pontos percentuais, após a divulgação das notícias sobre as nomeações.

O PS, que em Março estava acima de 36%, desce para 34,6% das intenções de voto nas legislativas. O barómetro mostra o PSD com forte subida de 3,4 pontos percentuais em relação a Março, para atingir agora 27,3% das intenções de voto. Em Setembro de 2018, a diferença entre PS e PSD era de 16 pontos percentuais; nos últimos meses, este fosso encurtou para metade do valor.

O desgaste dos socialistas não se deve apenas à questão das nomeações de familiares para os gabinetes, mas pode traduzir um fenómeno associado a outros factores: o facto é que, neste barómetro, o PS está a cair desde Setembro de forma regular. Em anteriores inquéritos publicados pelos dois jornais mostrava-se tendência de subida do PSD nas intenções de voto para as eleições europeias e o efeito parecia estar ligado ao cabeça de lista proposto pelo partido nestas eleições, Paulo Rangel. O barómetro publicado esta sexta-feira mostra que o líder do PSD, Rui Rio, está igualmente a ganhar visibilidade. Apesar disso, quando quase um terço do eleitorado diz preferir Rui Rio a António Costa, o primeiro-ministro mantém a preferência de metade dos eleitores.

Em relação aos restantes partidos, onde a margem de erro deste barómetro é maior, existe empate entre CDS e Bloco de Esquerda, ambos com 8,5%. Se as eleições legislativas se realizassem agora, a CDU teria 7%.

A soma de PSD e CDS seria de 35,8%. A soma entre PS e Bloco podia elevar-se a 43,1%, ou seja, no limiar da maioria absoluta. No fundo, este barómetro mostra um cenário semelhante ao das eleições de 2015: a direita está 2,7 pontos percentuais abaixo do resultado de há quatro anos, enquanto socialistas e bloquistas somados estão seis décimas acima. Isto significa provavelmente que os novos partidos não convencem os eleitores e que Costa poderia governar num novo mandato, talvez dispensando os comunistas.

 

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