Fronteiras da vida ganham novo horizonte

Cientistas julgam ser possível encontrar bioesferas em sistemas da nossa vizinhança com elevados níveis de radiação.

Ao contrário do que se pensava até agora, a radiação ultravioleta deixou de ser um factor limitante para o aparecimento de vida em exoplanetas. Um novo estudo de investigadores da Universidade de Cornell sugere que planetas rochosos idênticos à Terra, que foram descobertos em estrelas nas proximidades do Sistema Solar, podem afinal não ser estéreis. Estes exoplanetas estão demasiados expostos a radiação e os cientistas consideravam que não havia condições para o aparecimento e desenvolvimento de vida, pois a actividade solar destrói moléculas orgânicas e reduz a atmosfera.

O novo estudo põe fim a esta objecção, pelo que será explorada a busca de sinais de vida extraterrestre em locais até agora improváveis. Um exemplo era Proxima-b, situado a 4,24 anos-luz, cuja descoberta causou forte sensação em 2012. Ora, o planeta recebe raios-X numa quantidade 250 vezes superior à que bombardeia a Terra, além de provavelmente receber também elevadas doses de radiação ultravioleta. Os cientistas excluíam a possibilidade de haver ali vida, embora este planeta esteja na zona habitável da sua estrela, Proxima Centauri, por assim dizer a nossa vizinha do lado, uma anã vermelha com massa equivalente a 12% do Sol.

As elevadas doses de radiação são um aspecto típico da actividade das anãs vermelhas, estrelas muito comuns no universo e que estavam mais ou menos afastadas do cardápio da possibilidade de vida. O que os cientistas de Cornell argumentam, no novo estudo liderado por Lisa Kaltenegger e Jack O’Malley-James, é que a vida na Terra se desenvolveu em condições semelhantes a estas. Os modelos usados para diferentes composições atmosféricas revelaram que os níveis de radiação nos planetas da nossa periferia eram consistentes com os que existiram na Terra primitiva, na realidade até menores. Então, se foi possível aparecer vida na Terra, qual a razão de não ser possível nestes planetas das regiões vizinhas?

A constatação facilita o estudo de planetas em zonas habitáveis de estrelas da nossa periferia, como Proxima-b, TRAPPIST-1e, Ross-128b ou LHS-1140b, que estavam mais ou menos postos de lado devido aos níveis de radiação das respectivas estrelas.

 

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