Governo britânico arranca garantia de última hora

Theresa May tem hipóteses de fazer aprovar o seu acordo de saída, após uma dramática reviravolta em Estrasburgo.

Alguns dos deputados mais influentes do Partido Conservador britânico admitiam votar nesta terça-feira a favor do acordo alcançado na véspera por Theresa May, que adiciona uma disposição legal ao chamado backstop sobre a Irlanda. A concessão obtida pela primeira-ministra não altera uma vírgula no acordo de saída do Reino Unido, mas garante que em caso de os europeus actuarem de má-fé, tentando transformar o backstop num mecanismo definitivo, então o Reino Unido terá forma legal de o abandonar. Com esta nova formulação, May tem verdadeiras hipóteses de fazer aprovar o seu acordo de saída no Parlamento britânico, após um chumbo humilhante em Janeiro.

A votação, que se realiza esta terça-feira ao fim do dia, será renhida. Os partidos da oposição vão votar contra e, mesmo que haja deputados trabalhistas a apoiar o acordo do governo, a proposta necessita do voto favorável dos unionistas irlandeses e da esmagadora maioria dos conservadores. De forma crucial, a facção conservadora favorável a uma saída imediata ainda estava na manhã de terça-feira a analisar o documento. O líder deste grupo conservador, Jacob Rees-Mogg, pediu mais tempo e o adiamento de um dia na votação, o que pode indicar algum apoio à primeira-ministra.

A dramática negociação de segunda-feira à noite entre Theresa May e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, decorreu em Estrasburgo, quando já ninguém esperava um compromisso. Em conferência de imprensa conjunta, Juncker explicou que tinham sido respeitadas as orientações do Conselho Europeu e o interesse da República da Irlanda, pois o backstop assegura que não haverá fronteira rígida com a Irlanda do Norte após a concretização do Brexit.

Ingleses e europeus concordaram com a ideia de que este mecanismo pode ser substituído, de acordo com um calendário estabelecido entre os dois, no âmbito do período de transição em que Londres e Bruxelas vão negociar o «futuro entendimento», ou seja, o tratado comercial que vai regular a relação após 2021, quando terminar a transição de dois anos e meio.

A votação de hoje é o momento decisivo. Se o acordo de saída for aprovado tal como está, o Reino Unido deve sair da União Europeia a 29 de Março, logo após uma cimeira europeia, no fim-de-semana, para a foto de família. A saída não terá efeito prático e a negociação recomeça no período de transição. Se os deputados britânicos chumbarem o acordo de Estrasburgo, o Reino Unido entra numa crise política.

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