Grupo de supremacia branca enganou celebridades através de aplicação

Um grupo de utilizadores do YouTube, que assume ser da supremacia branca, está a usar uma aplicação para pagar a celebridades para criarem vídeos onde fazem declarações anti-semitas codificadas. Posteriormente, essas gravações são disseminadas no YouTube para promover o ódio racial.

Entre as “vítimas” deste esquema estão o ex-quarterback da National Football League (NFL, EUA) Brett Favre, o actor Andy Dick e o rapper Soulja Boy. Todos garantem que não sabiam que estavam a apoiar o anti-semetismo através desta aplicação.

Os vídeos foram feitos com recurso ao Cameo, onde os utilizadores podem pagar para que celebridades gravem uma mensagem personalizada. O Cameo foi lançado em Abril de 2018 e tornou-se numa plataforma que a extrema-direita aproveitou na tentativa de legitimar mensagens racistas — desta vez com o aparente endosso de celebridades.

Tanto a Cameo como representantes das celebridades disseram ao BuzzFeed News que não sabiam que as mensagens apoiavam as teorias de conspiração anti-semita.

O grupo responsável por esta “táctica” auto-denomina-se GDL, ou Goyim Defence League, usando a palavra hebraica para um não-judeu. O grupo aparentemente é comandado por dois YouTubers, com os nomes “Handsome Truth” e “Sway Guevara”.

Os vídeos não serão incluídos neste artigo uma vez que os utilizadores que pagaram às celebridades disseram, numa transmissão em directo, ser sua intenção que as gravações se tornem virais.

Na aplicação, o vídeo é carregado com uma linguagem anti-semita codificada. Por exemplo, “pequeno” significa “chapéus pequenos”, referindo-se aos “yarmulkes” — chapéus pretos utilizados pelos judeus ortodoxos.

O CEO da Cameo afirmou ao BuzzFeed News que a sua equipa foi alertada sobre os vídeos quando estes começaram a tornar-se virais na Internet.

Quando alguém se inscreve na Cameo, envia instruções específicas para a celebridade sobre o que incluir no vídeo. A celebridade, de seguida, revê o pedido e fica à sua consideração fazê-lo ou não. Caso aceite, o comprador receberá um vídeo em poucos dias. Um de Brett Favre, por exemplo, custa cerca de 500 dólares (440 euros).

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