Mares de Plutão podem ter sobrevivido biliões de anos

Equipa de cientistas sugere um mecanismo de isolamento que poderia manter um oceano de água líquida a grande distância do Sol.

O sistema solar poderá ter vários oceanos, nomeadamente nas duas luas de Júpiter Europa e Ganímedes, ou na lua de Saturno Encélado. Plutão é considerado outro possível candidato a possuir água líquida, mas esta possibilidade deparava-se com uma dificuldade insuperável: a distância do Sol é de tal ordem, que as temperaturas deveriam manter todo o planeta num estado permanente de congelação. A idade do objecto também contradiz a possibilidade de água líquida.

As imagens de 2015, obtidas pela sonda New Horizons (que revolucionou o conhecimento sobre este planetóide) sugerem a existência de um mar em Plutão, sensivelmente no equador e nas profundezas de uma zona denominada Sputnik Planicia. Se existir, está a grande profundidade.

Um novo estudo de investigadores japoneses e americanos sugere um mecanismo que pode conciliar as observações com o problema da temperatura, ou seja, explica como é que a água líquida se poderia manter nas frígidas condições de Plutão, sem a proximidade e um grande planeta que provoque marés e produza alguma energia. Segundo os cientistas, uma camada de gás poderia isolar a água. Este estudo, publicado no Nature Geoscience, aumenta as possibilidades de haver mares em locais do sistema solar que até agora não foram considerados.

Os investigadores realizaram simulações por computador abarcando 4,6 milhões de anos, com base na suposição de que hidratos de gás formavam uma camada isolante, cristalina e com escassa condução térmica. As simulações mostraram que sem esta camada, um possível oceano na órbita de Plutão teria congelado completamente há muitas centenas de milhões de anos. Pelo contrário, com a camada de hidratos de gás, o oceano poderia manter-se líquido a grande profundidade e durante longos períodos de tempo. Se existir, o oceano de Plutão será extremamente antigo.

As implicações desta ideia são extraordinárias: até 2015, Plutão era um objecto que perdera interesse para a comunidade científica; agora, é um lugar fascinante, com grandes possibilidades para mais investigação. Há muita água no sistema solar e, aparentemente, já não é preciso um mecanismo de aquecimento por marés para se conceber a existência de água líquida debaixo do gelo e, portanto, até a possibilidade do enigma da vida.

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