May aceita sair em Junho, mas é tarde para evitar rebelião eleitoral

Negociações entre conservadores e trabalhistas estão à beira do colapso e os dois grandes partidos britânicos continuam a desaparecer nas sondagens para eleições europeias, onde o povo não queria votar.

As negociações entre os dois maiores partidos britânicos estavam à beira do fracasso esta sexta-feira, ao mesmo tempo que eram publicadas novas sondagens que admitem uma calamidade eleitoral para conservadores e trabalhistas, na próxima votação para o Parlamento Europeu. A primeira-ministra Theresa May aceitou finalmente estabelecer um calendário de saída e deverá abandonar o poder antes do Verão, abrindo caminho a uma corrida pela liderança do Partido Conservador que começa já em Junho. May apostou tudo num entendimento com a oposição, que permitisse aprovar um acordo de saída, mas os dois partidos não alteraram as posições iniciais. As conversações estão em colapso.

A acreditar nas sondagens sobre as eleições para o Parlamento Europeu, o sistema político britânico vai sofrer um profundo choque. O Brexit Party, formação improvisada por Nigel Farage, surge nos mais recentes inquéritos de opinião com 35%, muito à frente da soma dos dois partidos tradicionais, que partilharam o poder sem interrupções desde um período anterior à Segunda Guerra Mundial. Os mais recentes números de YouGov mostram que os Trabalhistas podem ter perdido o lugar de líderes da oposição, pois o Liberais Democratas têm mais um ponto percentual e surgem com 16%. O partido de Theresa May está com 9%, em quinto lugar, e continua em queda.

A confirmar-se nas urnas, a rebelião eleitoral pode acelerar o processo de saída de May. O próximo líder conservador deve manter-se no poder até 2022 (a actual legislatura dura mais três anos), mas enfrentará um parlamento dividido, no fundo pró-remain, em contradição com a disposição popular. O Brexit Party será uma ameaça constante, a minar o eleitorado conservador cada vez que o partido hesitar no Brexit.

Os trabalhistas, que estão também divididos ao meio, perderam muitos votos para os Liberais Democratas, defensores do remain com menos ambiguidades. Os dois partidos defendem um novo referendo, mas também parece evidente que há militantes trabalhistas dispostos a votar Brexit Party.

É possível que os dois maiores partidos (que lutam pela sobrevivência do seu duopólio) tentem uma fase de votações parlamentares que permitam chegar a um consenso negociado, para limitar a margem de manobra do próximo primeiro-ministro, que será certamente um defensor do Brexit. O próximo líder do partido (Boris Johnson já é candidato oficial e tem possibilidades) tentará evitar que o parlamento se antecipe ao seu governo. Os deputados que quiserem manter-se no poder terão de acompanhar a nova liderança, mesmo que sejam pró-remain, ajudando a derrotar qualquer iniciativa. Se Boris Johnson vencer a corrida, é altamente provável que haja um Brexit sem acordo até 31 de Outubro.

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