Movimentos continentais na origem das Eras de Gelo

Nova teoria diz que fenómenos geológicos ligados à tectónica de placas já congelaram o planeta no passado.

 

A Terra transformou-se no passado, por diversas vezes, numa bola branca coberta totalmente ou parcialmente de gelo. O mecanismo que produziu este fenómeno, apesar de tudo ocasional, pode estar na tectónica de placas. Cientistas americanos da Universidade da Califórnia avançaram com uma nova teoria: as idades de gelo muito significativas estarão ligadas à colisão de massas continentais com arcos vulcânicos, formando-se montanhas tropicais que, ao longo de milhões de anos, absorvem dióxido de carbono, que é um dos principais factores que determinam o clima no planeta.

Num estudo publicado pela Science, os períodos de arrefecimento são atribuídos a choques de placas tectónicas (que se movem lentamente, mas de forma constante) as quais resultam na formação de sistemas montanhosos onde, após milhões de anos, surgem afloramentos ofiolíticos, ou seja, conjuntos de rochas que, quando chegam à superfície, retiram o dióxido de carbono da atmosfera. Este processo estará em acção na colisão entre a Austrália e o arquipélago da Indonésia (numa escala geológica, naturalmente, que levará milhões de anos a desencadear este mecanismo).

Segundo um dos cientistas responsáveis pelo estudo, Nicholas Swanson-Hysell, «a Terra possui um programa de captura de carbono a longo prazo». Em longos períodos, o dióxido de carbono produzido pelos vulcões acaba por ser consumido em reacções químicas com rochas ricas em cálcio e magnésio. Estes elementos combinam-se com o carbono e os compostos resultantes são arrastados para os oceanos como calcário, onde permanecem milhões de anos.

No passado climático terrestre dos últimos 500 milhões de anos terão ocorrido três grandes episódios de congelamento e os modelos avançados utilizados para formular esta teoria sugerem que todos eles estiveram ligados a choques de placas continentais e arcos vulcânicos nas zonas dos tropicais do planeta. Os períodos quentes, como aquele em que vivemos, estão ligados à relativa raridade destas colisões.

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