Alerta: o Planeta está a ficar sem areia

Pense num recurso valioso. Que imagens vêm à sua cabeça? Talvez petróleo? Água? Ouro? Todos são, é verdade. E a areia?

Pode parecer absurdo, especialmente se viver perto da praia ou do deserto, mas o mundo está a ficar sem areia. Um material crucial para tudo, desde os telemóveis até aos arranha-céus. Acontece que o recurso está a ser usado a uma velocidade que não lhe permite sequer ser restabelecido — a areia regenera-se lentamente, são necessários milhares de anos para que as rochas e sedimentos se decomponham, provocando preocupações ambientais e, inclusivamente, conflitos humanitários. Há até quem esteja disposto a matar por ela.

Senão vejamos, quase tudo o que nos rodeia é construído com areia. O cimento dos nossos apartamentos, os vidros das janelas, os telemóveis, os computadores, as estradas… qualquer tipo de ambiente urbano depende da areia.

Por esta altura talvez esteja a pensar: «Mas há tanta areia, há tantos desertos.» Todavia, a areia do deserto é inútil na perspectiva de material de construção. Os grãos estão a céu aberto, expostos às agressões atmosféricas, o que os vai agastando, até se tornarem inúteis para blocos de construção. Imagine tentar fazer um prédio com bolas de golfe? Para material de construção, a areia deve ter extremidades angulares, preferencialmente como a encontrada no leito de um rio, no mar ou na praia. Até o Burj Khalifa, o edifício mais alto do mundo, no Dubai, cercado por quilómetros de areia, foi contruído com areia importada da Austrália.

O mundo assistiu a um boom na construção nos últimos anos. As Nações Unidas estimam que o mundo consuma mais de 40 mil milhões de toneladas de agregado de construção — areia, cascalho e brita — a cada ano. Algumas estimativas preveem que o consumo superará os 50 mil milhões de toneladas em 2019, com a China a ocupar boa parte da oferta de cimento do mundo, ao passar por uma urbanização massiva. De acordo com dados do Serviço Geológico dos EUA, entre 2011 e 2013, a China usou mais cimento que os EUA durante todo o século XX. Outras partes da Ásia, como a Índia, também se estão a expandir rapidamente.

A urbanização que impulsiona esse boom de construção e a crescente dependência do cimento não mostra sinais de desaceleração. Até 2030, a ONU espera que 60% da população mundial viva em áreas urbanas.

A areia também é usada noutros projectos, como recuperar terras do mar. Singapura é provavelmente o exemplo mais extremo. Desde 1960, o país expandiu a sua área de terra de 581,5 para 721,5 quilómetros quadrados. Segundo algumas estimativas, a recuperação de um quilómetro quadrado exige até 37,5 milhões de metros cúbicos de areia. Num esforço para acomodar uma população crescente e o aumento do nível do mar, Singapura planeia adicionar outros 40 quilómetros quadrados até 2030, embora as autoridades digam que estão a recorrer a métodos que reduzirão a necessidade de areia importada.

O negócio da areia atrai o submundo criminoso

Um dos principais problemas com a areia é que esta é pesada. Itens pesados ​​implicam grandes custos de transporte, especialmente em longas distâncias. A escassez e os elevados preços atraem a atenção dos criminosos. Por que ir a uma área de mineração legal quando a areia pode ser extraída por quase nada noutro lugar?

“Máfias de areia” são grupos de criminosos que drenam ilegalmente areia de áreas onde a extracção é proibida. Como eles não cumprem as leis, todos os protocolos ambientais são ignorados. Frequentemente, os rios são dragados ilegalmente, destruindo o habitat de peixes e, subsequentemente, prejudicando os pescadores.

De acordo com uma reportagem de 2015 da Wired sobre as “máfias de areia” na Índia, a polícia geralmente tem pouca ajuda: a sabedoria convencional diz que muitas autoridades locais aceitam subornos destes “garimpeiros” para ignorar estas operações — e não raramente, estão elas próprias envolvidos nos negócios.

Estaremos condenados a ficar sem areia?

O mundo já enfrentou situações terríveis e conseguiu sobreviver. No início do século XIX, economistas exploraram uma teoria chamada lei dos retornos decrescentes, na tentativa de explicar por que os preços dos grãos de areia estavam a cair.

A tecnologia pode compensar grandemente essa lei dos retornos decrescentes, aumentando a produtividade. Através da tecnologia de hoje, áreas do mundo que sempre foram importadores de alimentos estão a tornar-se exportadores. Sementes híbridas, fertilizantes, técnicas agrícolas e pesticidas têm combatido os retornos diminuídos de um terreno e aumentado os rendimentos para níveis antes considerados impossíveis.

Resta-nos esperar que mentes brilhantes em busca de riqueza encontrarão soluções. De facto, uma possível solução pode até já ter sido descoberta. Quatro estudantes universitários britânicos desenvolveram um material chamado Finite, uma alternativa concreta feita de areia do deserto. É tão resistente quanto o cimento e capaz de ser derretido e reciclado. É apenas um protótipo actualmente, mas parece promissor.

A areia é definitivamente um recurso perecível. Se a humanidade continuar a usá-lo ao ritmo actual, a oferta mundial provavelmente esgotar-se-á.

Se esforços fossem tomados para usar a areia de forma mais eficiente na construção, este seria um grande primeiro passo para o progresso. Além disso, o uso de tecnologia para encontrar substitutos para a areia seria outro factor de mudança. Apenas a partir de uma pesquisa rápida na Internet, parece que vários substitutos ao cimento já estão a ser desenvolvidos para preencher essa necessidade.

Mais Notícias
Comentários
Loading...

Multipublicações

Marketeer
Influenciadores dominam Marketing Digital da Estée Lauder
Automonitor
Precisa de abastecer? Gasóleo desce a partir de segunda-feira