Países da UE decidem apoiar oposição venezuelana

Parlamento Europeu reconhece Juan Guaidó como presidente interino, aumentando a pressão sobre o regime de Maduro.

O Parlamento Europeu reconheceu esta quinta-feira Juan Guaidó como presidente interino legítimo da Venezuela, «até que haja eleições presidenciais livres, transparentes e credíveis». A moção foi aprovada por 439 votos a favor e 104 contra (houve 88 abstenções), devendo seguir-se nos próximos dias uma decisão semelhante do Conselho Europeu. A UE quer uma transição pacífica e exige eleições livres controladas pela Assembleia Nacional.

A questão da legitimidade constitucional foi explicada por Guaidó num artigo de opinião publicado no New York Times. Para o presidente interino, as eleições de 20 de Maio foram ilegítimas e Nicolas Maduro, «que 84% dos venezuelanos recusam», terminou o seu período presidencial a 19 de Janeiro de 2019, sendo a partir daquela data «usurpador da presidência». Guiadó explica no mesmo texto que a Assembleia Nacional (a que preside) é a «única autoridade legítima na Venezuela», o que neste momento é reconhecido por mais de 50 países.

No mesmo texto, o presidente interino afirma que o objectivo dos protestos é realizar eleições livres e explica que a oposição está unida nessa meta, tendo havido «reuniões com militares e funcionários de segurança através de canais clandestinos». Os líderes da oposição terão oferecido uma amnistia aos membros do regime que não tenham cometido crimes de lesa-humanidade e decidam abandonar Maduro.

Nos próximos dias, a oposição vai intensificar as manifestações, não havendo para já qualquer perspectiva de conversações entre os dois lados ou de mediação. Os Estados Unidos congelaram as fontes de dinheiro do regime e Maduro respondeu de imediato, dizendo que Washington quer controlar o petróleo venezuelano.

A sequência do conflito dependerá dos militares. Nas imagens controladas pelo regime, são visíveis as manifestações de força, mas na realidade ninguém sabe o que farão os oficiais de patente intermédia. Maduro promete resistir ao que classifica de «golpe» e já anunciou a intenção de criar 50 mil unidades de milícias populares, uma por cada bairro de cada cidade.

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