Plano de May está morto e Reino Unido prepara-se para votar no Brexit Party

Os principais líderes rejeitam a proposta da primeira-ministra de se votar um acordo de saída da UE, com segundo referendo. Nos conservadores, a recusa é ainda mais dura, pois o partido vai ser massacrado nas europeias.

Para a primeira-ministra Theresa May, a derradeira tentativa de fazer aprovar um acordo de saída, mediante a promessa de segundo referendo, parece ter sido o fim da linha. Ao início de quarta-feira, poucas horas depois de ter sido anunciado, o plano jazia em estado terminal. Não haverá votos suficientes e a irritação no Partido Conservador é insuperável.

O partido no poder vai sofrer uma derrota humilhante nas eleições europeias (vota-se na quinta-feira) e a vida continua: May demite-se dentro de dias ou semanas, o partido escolherá um novo primeiro-ministro, certamente um brexiteer, provavelmente Boris Johnson.

Após semanas em que esteve em vão a negociar um entendimento com os trabalhistas, visando aprovar em Westminster o acordo de saída, a primeira-ministra anunciou na terça-feira que iria propor de novo ao parlamento o acordo, desta vez acompanhado de promessa de eventual nova votação, mas o tiro saiu pela culatra. Quase todos os partidos criticaram a iniciativa: nos conservadores ergueu-se de imediato uma rebelião da facção pró-Brexit, com intervenções muito duras; os trabalhistas recusaram a ideia, dizendo que não há nada de novo; os unionistas irlandeses (fundamentais para uma maioria) também rejeitaram a proposta.

As ambiguidades de May estão a ser fatais para os conservadores. Na quinta-feira, o partido poderá ter o pior resultado da sua história, com valores nunca vistos. A última sondagem YouGov, publicada esta quarta-feira, dava aos conservadores uns míseros 7%, ou o quinto lugar para um partido habituado a vitórias e que, ainda em Junho de 2017, venceu as legislativas com 42,4%.

Desta vez, nas europeias, tudo o que podia correr mal está a correr ainda pior. O Brexit Party, um partido de protesto improvisado por Nigel Farage, surge na mesma sondagem com 37% dos votos, muito à frente da soma de Liberais Democratas e Verdes, dois partidos favoráveis à permanência na UE, respectivamente com 19% e 12%, o que dá uma soma de 31%. Os trabalhistas também são punidos pela ambiguidade, com apenas 13%, ou seja, podem perder a liderança da esquerda para o movimento ecologista.

Se as urnas confirmarem estes números, o Partido Conservador deverá entrar em estado de emergência. A mudança de líder será uma questão de semanas ou mesmo de dias, pois é provável que muitos deputados pró-Brexit queiram acelerar o processo, para evitar que May apresente a sua proposta no Parlamento, mesmo sabendo que seria humilhada pela quarta vez. As elites querem passar depressa para a fase seguinte, com mudança de governo e o mesmo impasse (parlamento favorável à permanência na UE e o eleitorado favorável ao Brexit). Aumentam assim as hipóteses de saída sem acordo, em princípio ainda antes da data limite de 31 de Outubro.

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