Política finlandesa ficou parecida com a europeia

Blocos políticos finlandeses são semelhantes aos que se estão a desenvolver no Parlamento Europeu e isso não é uma boa notícia.

Os resultados das eleições legislativas finlandeses permitem perceber  melhor o contexto europeu de fragmentação política e formação de grandes famílias partidárias incompatíveis entre si. Os diferentes blocos terão dificuldade em trabalhar juntos em Helsínquia, mas também no próximo Parlamento Europeu. A Finlândia tem uma velha cultura de coligações, mas o resultado de domingo, ao penalizar os centristas, pode originar um cenário instável.

Os social-democratas (SDP) venceram com 17,7%, elegendo 40 deputados (em 200); O Partido dos Finlandeses (PS), formação populista, teve 17,5% e elegeu 39 deputados; em terceiro lugar ficaram os conservadores da Coligação Nacional (KOK), com 17% e 38 deputados; só depois, o partido do primeiro-ministro liberal Juha Sipila (KESK), que perdeu 18 lugares e teve apenas 13,8%.

Socialistas e verdes somam 60 deputados, a extrema-esquerda mais 16. O centro tem 41 (se contarmos o partido sueco), mas os liberais estão enfraquecidos. A direita tradicional soma 43, mas não se pode juntar aos 40 populistas. Não parece haver maioria, excepto a aliança entre primeiro, terceiro e quarto partidos (soma de 109), ou uma salada de socialistas, verdes, centristas e suecos que daria 101 deputados.

O exemplo finlandês mostra o modelo em que se está a transformar a Europa, com cinco grandes blocos políticos. Na direita, segundo as sondagens, há o claro reforço dos populistas (ou reformistas) e, em alguns países, da extrema-direita radical. Estes populistas não se juntam aos conservadores. O centro está em dificuldades e, à esquerda, vemos a ascensão dos verdes, que podem ser decisivos nas contas finais; ainda mais à esquerda, um bloco esquerdista de eurocépticos.

O voto de protesto (à esquerda e direita) equivale a um terço do eleitorado. O próximo parlamento europeu vai parecer-se bastante com a política finlandesa (embora com os socialistas longe da vitória). O futuro da Europa aponta para crispação acentuada entre extremos que não se falam.

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