Polónia e Portugal cada vez mais perto

As capitais Lisboa e Varsóvia estão separadas por uma distância rodoviá­ria com mais de 3300 km. É uma distância bastante significativa – pois, Portugal e Polónia encontram-se nos confins opostos da União Euro­peia.

Isto não facilita o conhecimento do país parceiro ou a cooperação económica. No entanto, esta cooperação está a desenvolver-se muito bem e tem cada vez melhores perspectivas. O lado mais forte desta cooperação consiste nos investimentos portugueses na Polónia.

O Grupo Jerónimo Martins opera na Polónia há 24 anos gerindo sob a insígnia de retalho da “Biedronka” uma cadeia com mais de 2800 lojas em mais de 1000 localizações, e expandindo, ao mesmo tempo, outra área de negócio – a rede de drogarias “Hebe”. O Banco Comercial Português (Millennium BCP) opera na Poló­nia sob o nome “Bank Millennium” desde 2003, sendo especialmente valorizado pela sua oferta de vários serviços bancários em linha, incluindo serviços móveis. A EDP Renováveis é um dos líderes na produção de energia a partir de fontes re­nováveis na Polónia, principalmente em parques eólicos. A empresa Mota-Engil é responsável pela construção na Polónia de uma série de estradas, nomeadamente auto-estradas, bem como pontes, caminhos-de-ferro e edifícios residenciais. Muito se pode dizer acerca do investimento português no mercado polaco, uma vez que a lista dos maiores investidores estrangeiros na Polónia inclui 27 empresas com origem em Portugal.

Os sucessos dos investidores polacos em Portugal são mais modestos. O maior deles é a Asseco, uma empresa global de TI que oferece software e serviços de alta qualida­de. Importa notar que que o capital privado polaco começou a ser criado mais tarde do que em Portugal, praticamente só depois da abertura democrática e do início da economia de mercado em 1989. Naquela época, as empresas polacas investiram prin­cipalmente em países vizinhos. A economia polaca tornou-se muito dinâmica (por exemplo, em 2017 e 2018, o crescimento do PIB situou-se em 4,9% e 5,1%, respectiva­mente) contribuindo desta forma também para um crescimento dinâmico do capital, pelo que os mercados-alvo, em que queremos investir, estão em constante expansão.

Assim, a nova Agência de Investimentos e Comércio Polaca (PAIH) acaba de abrir um dos seus 70 escritórios estrangeiros em Lisboa. A inauguração teve lugar no dia 5 de Abril na sede da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, durante a visi­ta a Portugal do ministro polaco do Investimento e Desenvolvimento Económico, Dr. Jerzy Kwieciński, e contou ainda com a presença do ministro da Economia de Portugal, Dr. Pedro Siza Vieira. Ambos os ministros tiveram anteriormente opor­tunidade de se reunirem e abordar o assunto da cooperação económica PL-PT, in­dependentemente das conversações realizadas entre o ministro Jerzy Kwieciński e o ministro do Planeamento português, Dr. Nelson de Souza.

Independentemente dos investimentos no mercado parceiro, o comércio entre am­bos os países está a desenvolver-se de forma bastante expressiva. As exportações de Portugal para o mercado polaco em 2018 aumentaram em 21,0%, enquanto que as importações da Polónia para Portugal cresceram em 8,8%. Se levarmos em conta a grande diversidade dessas trocas comerciais e a sua história nos últimos anos, não há dúvida de que essa tendência se manterá. Um papel interessante é desempenhado aqui pelo Grupo Jerónimo Martins que, desenvolvendo as cadeias de supermercados “Biedronka” na Polónia, e “Pingo Doce” em Portugal, adquire um grande conheci­mento de ambos os mercados, gerando os intercâmbios comerciais de mercadorias cada vez mais diversificados. Convém ainda acrescentar que durante 15 anos da pre­sença da Polónia na União Europeia, as nossas exportações para os seus mercados aumentaram cinco vezes.

Mencionei no início a grande distância entre os nossos países. Os polacos e os portu­gueses, no entanto, raramente escolhem uma viagem de carro de 32 horas que separa as nossas capitais, substituindo-a por um voo de 4 horas. As nossas sociedades estão unidas em mais de 20 ligações aéreas por semana, operadas por três companhias aé­reas entre 6 cidades na Polónia e 3 em Portugal. Em 2018, mais de 230 000 turistas po­lacos visitaram Portugal. Infelizmente, o número de portugueses que visitam o nosso país é muito menor: 30 000 por ano. É uma pena, pois a Polónia está a tornar-se um destino turístico cada vez mais atraente na Europa. Os portugueses podem considerar muito interessante a nossa oferta de inverno – as montanhas cobertas de neve, com excelentes infra-estruturas para praticar esqui, bem como, em todas as estações do ano, uma rica oferta histórica, cultural e natural: o mesmo número de sítios incluídos na lista de Património Mundial pela UNESCO que em Portugal, inúmeros festivais de música, belas cidades ricas em história e, simultaneamente, vibrantes com a vida de juventude, 23 parques nacionais. Acresce a tudo isto ainda a natureza e paisagens de beleza deslumbrante e de grande diversidade: as montanhas polacas são impressio­nantes também no verão, enquanto que a navegação em mais de mil lagos pitorescos na Masúria, cercados pelas belas e diversificadas florestas, pode ser para os portu­gueses uma experiência única e muito particularmente especial. Convido-vos a visitar www.poland.travel, onde os interessados em viajar à Polónia encontrarão muito mais sobre os valores turísticos do nosso país.

Para o final, deixo o fenómeno mais promissor nas relações luso-polacas – o inter­câmbio de estudantes no âmbito do programa europeu Ersamus+. Em quase todas as universidades portuguesas, cada ano, estiveram presentes mais de 1500 estudantes polacos, enquanto que mais de 1100 estudantes portugueses passaram pelas univer­sidades polacas. Quase todos eles descrevem essa experiência como uma das mais enriquecedoras. O intercâmbio Erasmus+ entre os nossos países já dura há muitos anos, com persistente e crescente intensidade. Isso significa que cada ano aumenta a mais de 2,5 mil o número de porta-vozes da cooperação luso-polaca. Assim, devemos olhar com muita esperança para o futuro da nossa cooperação bilateral, vendo o seu potencial sobretudo nos jovens.

Jacek Junosza Kisielewski
Embaixador da Polónia

Artigo publicado na edição n.º 13 do DIA15

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