Menos de 10% da população idosa portuguesa é saudável

Os dados são de um estudo europeu que conclui que, em Portugal, apenas 9% da população com mais de 70 anos é considerada saudável.

Os resultados são preliminares mas permitem perceber as discrepâncias que existem na Europa no que toca à saúde das pessoas com mais de 70 anos.

O estudo DO-HEALTH, considerado o maior estudo europeu sobre envelhecimento e que procura formas de melhorar a saúde dos idosos com mais de 70 anos, envolve sete centros universitários da Alemanha, Áustria, França, Portugal e Suíça.

Em Portugal, o estudo, iniciado em 2012, foi levado a cabo pela Universidade de Coimbra por um grupo de investigadores da Clínica Universitária de Reumatologia da Faculdade de Medicina, e concluiu que a população idosa portuguesa tem “baixos níveis de saúde, em comparação com a de outros países europeus”.

As conclusões, referentes à primeira visita clínica dos 2157 participantes no estudo, indicam que na Suíça, 51% dos idosos são considerados saudáveis; na Áustria, 58%; na Alemanha, 38%; em França, 37% e em Portugal, 9%.

No total, 42% dos participantes europeus foram considerados “idosos saudáveis”. O estudo considera como saudáveis, as pessoas que não apresentam doenças crónicas e têm uma boa saúde física e mental.

O ensaio clínico, ao longo de três anos, passou por pedir aos participantes que cumprissem, “três vezes por semana, um plano de exercício simples em casa e tomassem diariamente suplementos de vitamina D e/ou ácidos gordos ómega 3 e/ou placebo”, para avaliar o efeito da vitamina D, do ómega 3 e do exercício físico na saúde cognitiva e física dos idosos.

José António Pereira da Silva, coordenador do projecto em Portugal, afirma que os resultados de Portugal não surpreendem, “mas preocupam. Temos os idosos menos saudáveis a todos os níveis, cognitivo e físico. É, sem dúvida, um problema relevante de saúde pública”. Quanto a possíveis causas, embora ainda não tenham sido devidamente avaliadas no estudo, José António Pereira da Silva acredita que “há a considerar todo um conjunto de recursos sociais com efeito na saúde dos idosos, que vão desde o valor das pensões até à facilidade de acesso à saúde. Há ainda um factor que eu presumo ser muito determinante que é o nível educacional”. O especialista considera que há “sinais preocupantes em Portugal do ponto de vista do Serviço de Saúde, em que vai diminuindo a acessibilidade aos serviços públicos e aumentando a aposta na medicina privada.”

O estudo do DO-HEALTH em Portugal foi levado a cabo por três enfermeiros, quatro médicos, dois fisioterapeutas e uma farmacêutica e recrutou e seguiu 301 idosos da região de Coimbra, que perfizeram 3 consultas anuais e 9 contactos telefónicos trimestrais.

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