Portugal reconhece Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela

Países europeus abandonam o regime bolivariano de Nicolás Maduro e passam a apoiar forças da oposição.

Portugal reconheceu na segunda-feira Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela, juntando-se a outros países europeus que anunciaram oficialmente o seu apoio ao líder da oposição e presidente da assembleia nacional. A posição da diplomacia portuguesa surgiu poucos minutos depois da declaração do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchéz, que reconheceu em Madrid a legitimidade de Guaidó, pedindo a convocação de «eleições presidenciais livres, democráticas, com garantias e sem exclusões».

França, Reino Unido, Dinamarca, Suécia ou Áustria, entre outros, juntaram-se a Portugal e Espanha, mas a movimentação diplomática europeia não foi unânime, pois Itália e Grécia não deverão acompanhar a maioria. A decisão surge numa altura em que se agrava a situação na Venezuela e um dia depois de terminar o ultimato de oito dias dado pela União Europeia para que Nicolás Maduro convocasse eleições presidenciais.

Maduro ocupa de facto a presidência e controla as forças armadas, mas a oposição considera-o usurpador, pois não é reconhecido pela comunidade internacional e as eleições que venceu em Maio foram manipuladas de forma grosseira. O mandato presidencial de Maduro terminou a 10 de Janeiro e, por isso, o poder legítimo pertence agora ao presidente da Assembleia Nacional. Esta é dominada pelos partidos da oposição e Maduro tem tentado anular o único órgão eleito que resta nas instituições venezuelanas, formando uma assembleia constituinte paralela, preenchida pelos apoiantes do seu regime.

Apesar de ter sido o país mais rico da América Latina, a Venezuela mergulhou num profundo colapso económico, com hiperinflação e escassez crónica de produtos básicos, incluindo alimentos, medicamentos, gasolina ou abastecimento de energia (o que é paradoxal, tratando-se do país do mundo com as maiores reservas provadas de petróleo).

Nas últimas semanas, o regime bolivariano sofreu forte pressão dos EUA, mas Maduro continua a desafiar os adversários e a recusar eleições presidenciais. O presidente (mais de 50 países consideram que ocupa ilegalmente o cargo) acusa os Estados Unidos de lançarem «uma guerra económica» contra a Venezuela e de estarem a preparar uma guerra civil. O líder socialista afirma que vai resistir ao que classifica de «golpe», estando a preparar uma milícia popular armada.

Em Portugal, a escolha europeia está a dividir os partidos que apoiam o governo. A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, apressou-se a criticar a decisão de reconhecer Juan Guaidó como presidente interino, visando a organização de eleições presidenciais livres e democráticas. Catarina Martins defendeu uma mediação internacional e afirmou que o reconhecimento de Guaidó «não faz sentido», tratando-se de uma posição «hipócrita», que na sua opinião vai facilitar o controlo estrangeiro do petróleo venezuelano.

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