Previsões de Outono: Bruxelas menos optimista que o Governo

A Comissão Europeia divulgou as suas previsões económicas de Outono. No que toca a Portugal, os números sobre a previsão de crescimento do PIB são abaixo dos divulgados pelo Governo português.

O relatório do executivo comunitário refere que, apesar da procura doméstica continuar forte, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deverá arrefecer em Portugal em 2018 e 2019, à semelhança das exportações líquidas.

Os números da Comissão falam de um abrandamento do crescimento do PIB, que deverá situa-se nos 1,8% em 2019 e 1,7% em 2020, quando as previsões do Governo português refere um crescimento de 2,2% no próximo ano e 2,3% em 2020.

A Comissão refere que, em termos reais, o aumento do PIB em Portugal no primeiro semestre de 2018 foi de 2,3%, motivado pela forte procura doméstica e em linha com as previsões de verão. Para este ano o fecho deverá acontecer com um crescimento de 2,2%, sendo uma diminuição face aos 2,8% do ano passado.

No que respeita ao ajustamento orçamental, as previsões de outono de Bruxelas são mais pessimistas do que o governo. Apontam para um défice de 0,6% do PIB em 2019 (o triplo do previsto pelo Governo na proposta de Orçamento), e de 0,2% em 2020.

A Comissão vai, porém, ao encontro dos números do Governo português no que toca à trajetória de redução do peso da dívida pública no PIB este ano e no próximo, apontando para 121,5%, em 2018, e 118,2% em 2019. Por seu lado, Portugal estima o fecho deste ano em 121,2%, e prevê 118,5% em 2019.

A criação de emprego também é referida neste relatório, com a previsão de uma taxa anual média de desemprego de 6,3% em 2019 e 5,9% em 2020.

Portugal integra assim o grupo dos cinco Estados membros mais lentos da Zona Euro, a par com Itália (a liderar a tabela do crescimento mais fraco), Bélgica, Alemanha e França. O executivo comunitário aponta como causas o abrandamento da economia da zona euro, cujo crescimento vai descer para 1,9% em 2019 e 1,7% em 2020, e os crescentes riscos internacionais associados à incerteza global, à continuação da guerra comercial, ao impacto negativo de um Brexit mal concluído e do regresso de dúvidas sobre alguns membros do euro.

A nível da Zona Euro, em termos globais, a Comissão prevê-se que o crescimento económico diminua de um nível que atingiu um ponto culminante em 10 anos de 2,4 % em 2017 para 2,1 % em 2018, antes de baixar novamente para 1,9 % em 2019 e 1,7 % em 2020. O mesmo padrão está previsto para a EU a 28 (incluindo ainda o Reino Unido), prevendo-se que o crescimento seja de 2,2 % em 2018, 2,0 % em 2019 e 1,9 % em 2020.

Bruxelas refere no relatório que, “no ano passado, o contexto mundial excepcionalmente benigno contribuiu para o dinamismo da actividade económica e do investimento na UE e na área do euro. Apesar de um contexto mais incerto, prevê-se que todos os Estados-Membros continuem a crescer, embora a um ritmo mais lento, graças à força do consumo interno e do investimento. Na ausência de grandes choques, a Europa deve conseguir um crescimento económico acima do nível potencial, a criação robusta de postos de trabalho e a diminuição do desemprego. No entanto, este cenário de base está sujeito a um número crescente de riscos interligados de revisão em baixa”.

Mais Notícias
Comentários