Previsões económicas da Comissão sublinham riscos elevados para a UE

Portugal deve crescer 1,7% em 2018 e um valor idêntico em 2020, mas estará abaixo de todos os países do seu nível de rendimento.

A Comissão Europeia divulgou na quinta-feira as suas previsões de inverno para 2019, num tom de optimismo moderado e muitas cautelas. A economia europeia deverá crescer em 2019 pelo sétimo ano consecutivo em 2019, mas a ritmo mais baixo e num contexto de grandes incertezas. Curiosamente, o documento já coloca o Reino Unido fora da União, com números tratados de forma separada, num pressuposto de statu quo no comércio entre europeus e britânicos, ou seja, prevê-se o Brexit, mas sem que este produza grandes efeitos económicos.

As previsões foram revistas em baixa, passando a incluir riscos externos, tais como as tensões no comércio mundial e a desaceleração económica em mercados emergentes, como é o caso da China. As maiores incertezas são em relação ao Brexit e a eventuais problemas relacionados com a sustentabilidade das dívidas públicas. A Comissão alerta para o possível regresso de ciclos viciosos entre dívida bancária e dívida soberana. Também se diz neste relatório que os países europeus podem aplicar políticas orçamentais expansionistas e haverá condições de financiamento favoráveis.

A UE deverá crescer a uma média de 1,5% em 2019 e Portugal estará ligeiramente acima deste valor, em 1,7%, uma taxa moderada, inferior a todos os países mais pobres da UE, que estarão a crescer a ritmos bem mais robustos, como é o caso da Polónia ou da Grécia (respectivamente 3,5% e 2,2%). A economia portuguesa cresceu 2,1% no ano passado e todos os valores de previsões e estimativas (2018, 2019 e 2020) são piores do que os da Espanha..

As revisões em baixa são também acentuadas. Nas previsões de Outono, a Comissão estimava um crescimento de 1,9% para o conjunto da zona euro, em 2019. Neste documento, a previsão é de apenas 1,3%. Em compensação, espera-se um bom comportamento do emprego. Na inflação, as previsões são mais favoráveis, estimando-se em 1,6% este ano, com uma ligeira aceleração para 1,8% no ano seguinte.

A Comissão publicará na Primavera (Maio) um documento com previsões mais exaustivas, que é analisado em grande pormenor pelos políticos, comentadores e agentes dos mercados.

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