Projecções eleitorais mostram divisões profundas na UE

Os socialistas europeus estão a aproximar-se do centro-direita, sugerem as sondagens sobre as eleições de domingo, e podem formar-se no futuro parlamento três grandes blocos de famílias partidárias.

A uma semana de se votar em toda a Europa, as agregações de sondagens sugerem que a família de agrupamentos socialistas (onde se encontra o PS) conseguiu reduzir a diferença que a separa do provável vencedor destas eleições, o Partido Popular Europeu (PPE, onde estão PSD e CDS). Segundo um cálculo efectuado pelo jornal online Politico, o centro-direita deve eleger 168 deputados e os socialistas e democratas 147.

Há uns meses, quando estas contas começaram a ser feitas (baseadas na soma dos previsíveis resultados nacionais), o PPE surgia com quase 190 deputados, o que já era uma grande quebra em relação ao número de eleitos que o grupo tem actualmente (217). A confirmar-se o valor final das projecções de Politico, a quebra seria de 22%. Apesar de uma ligeira melhoria na recta final da campanha, os socialistas não ficavam muito melhor, pois possuem uma representação de 186 deputados, perdendo assim 20%. De referir que os primeiros cálculo foram feitos para um parlamento com 705 deputados, mas entretanto os britânicos votam e as projecções mais recentes levam em consideração 751 eleitos.

Assim, os grandes vencedores das eleições europeias devem ser o terceiro e quarto maiores grupos, respectivamente as famílias de partidos liberais e da direita populista. No primeiro caso, está a formar-se uma aliança entre o grupo ALDE e o partido do Presidente francês, Emmanuel Macron, à qual se pode juntar o centro-esquerda italiano: esta formação podia eleger 104 eurodeputados.

À direita do PPE estão a formar-se três grupos: a extrema-direita pode conseguir 73 eurodeputados; os reformistas (PiS polaco) têm esperança de eleger 59 e haverá ainda Brexit Party mais Cinco Estrelas italiano, com 49. Sem os ingleses, estes dois grupos podem desaparecer, pois é preciso incluir deputados de nove países diferentes. Há ainda dois grupos (Verdes e Esquerda), respectivamente com 54 e 50.

Estes números parecem sugerir que será difícil estabelecer maiorias estáveis no futuro Parlamento. Na anterior legislatura, tudo era negociado entre democratas-cristãos e socialistas, que ultrapassavam os 50%. No próximo parlamento será necessário juntar os liberais, mas as contradições entre as três famílias podem dificultar a estabilidade deste possível bloco central.

O candidato socialista a líder da Comissão Europeia, o holandês Frans Timmermans, disse num debate que tentará formar uma frente com os partidos à sua esquerda, o que equivale a uma aliança com 250 votos. Isto forçaria o PPE, liderado pelo alemão Manfred Weber (na imagem) a juntar-se apenas aos liberais, dando uma soma de pouco mais de 270 deputados ou, em alternativa, dava a primazia a Timmermans para formar a coligação de poder e conseguir o lugar de Presidente da Comissão, em vez de Weber. Pequenas variações podem resultar num empate. Seria um debate contraditório, da Europa social contra o liberalismo económico, havendo ainda movimentos eurocépticos de direita, com 160 votos, a defender reformas e a tentar atrair partidos do PPE.

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