Rios de todo o mundo contaminados por antibióticos

Uma investigação internacional descobriu quantidades elevadas de medicamentos na água, o que estará a acelerar o aparecimento de micróbios resistentes aos tratamentos conhecidos.

No primeiro estudo do género efectuado em larga escala, um projecto científico internacional descobriu em rios de todo o mundo concentrações de antibióticos até 300 vezes superiores ao valor considerado seguro. Foram analisadas amostras de água em 72 países e havia antibióticos em dois terços dos rios analisados. O problema é global, afecta de forma desproporcionada países pobres e pode ter implicações na biologia do planeta, sobretudo no aparecimento de bactérias resistentes aos remédios mais comuns.

A concentração mais alta que a investigação detectou foi do antibiótico metrodinazol, num local do Bangladesh, com valores 300 vezes superiores ao nível de segurança. Este medicamento é utilizado para tratar infecções de pele e da boca. Para se perceber o que está em causa, refira-se que as concentrações deste antibiótico no rio Tamisa, no Reino Unido, eram de 233 nanogramas por litro, mas no Bangladesh, os valores detectados foram 170 vezes maiores.

Outro caso foi de trimetoprim, usado para infecções urinárias, e que os cientistas encontraram em 307 dos 711 locais analisados. O terceiro antibiótico mais vezes encontrado, ciproflaxacina, excedia os níveis de segurança em 51 lugares de todo o mundo.

O problema abrange todos os continentes, mas é mais grave na Ásia e África, em países como Paquistão, Quénia ou Nigéria. A investigação prova que a contaminação dos rios com antibióticos é hoje generalizada, sendo provavelmente uma das causas do aumento dos micróbios resistentes, que é uma ameaça para a saúde humana. O trabalho foi liderado por cientistas da Universidade de York, no Reino Unido.

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