Rui Rio enfrenta rebelião interna no PSD

O ex-líder da bancada parlamentar, Luís Montenegro, quer afastar o presidente do PSD e tem o apoio dos social-democratas desiludidos com o que consideram ser fraca oposição.

O PSD entrou em crise de liderança, após o anúncio de que Luís Montenegro exige a marcação de eleições primárias para destituir a actual direção de Rui Rio (na imagem). Caso não sejam de imediato convocadas essas eleições, o desafio deverá prosseguir através de um Conselho Nacional extraordinário visando destituir a Comissão Política do partido, iniciativa para a qual já existem assinaturas suficientes nas distritais. O desafio a Rui Rio surge numa altura em que alguns políticos da direita e do centro tentam fazer uma convergência para desafiar o Governo antes das europeias e legislativas.

Muitos social-democratas, incluindo aliados de Rui Rio, nunca conseguiram esconder a sua frustração com a estratégia centrista de colaboração com o PS, mas sobretudo são contestadas as sondagens medíocres e a aparente apatia do maior partido de oposição. A rebelião tornou-se mais audível após as afirmações da antiga presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, segundo a qual é preferível «que o PSD tenha pior resultado nas eleições do que um rótulo de direita». Ferreira Leite, aliada de Rio, disse isto a propósito da convenção do Movimento Europa e Liberdade, que juntou num debate em Lisboa vários partidos da direita, embora do lado do PSD só tenham aparecido críticos da direção de Rio.

Se Rio recusar ir a votos, os rebeldes podem convocar um Conselho Nacional no prazo de três dias, mas a partir daí há grandes incertezas. Pode haver uma moção de censura, mas a demissão da direcção não é automática. Os estatutos do PSD não são claros sobre o procedimento: existe a possibilidade de realizar directas e congresso em apenas 45 dias, mas caso Rio não se demita, o congresso pode realizar-se no prazo limite de 120 dias, o que colocava os momentos finais do drama em cima das europeias.

O aparecimento deste desafio à direcção de Rio está a agitar o partido e já provocou várias reacções de dirigentes, alguns deles a lamentar que este ataque de Luís Montenegro surja antes das eleições europeias. No caso de haver directas no PSD, não é certo que a oposição interna consiga afastar Rui Rio, que poderia assim justificar um mau resultado nas europeias. Também não é garantido que Luís Montenegro consiga juntar toda a oposição interna atrás da sua candidatura. Se a rebelião se dividir em vários candidatos, Rio terá mais hipóteses de se manter à frente do partido.

 

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