Sector público ganha mais e trabalha menos, para os privados é ao contrário

Portugal foi um dos países europeus com maior aumento nos custos laborais em 2018. Os números do primeiro trimestre confirmam tendência, mas mostram um país a duas velocidades.

O custo do trabalho em Portugal aumentou 1% no primeiro trimestre de 2019 (valor homólogo), o que representa forte abrandamento em relação ao número verificado em 2018, quando se registou uma subida de 3%. Esta aparente melhoria da produtividade não foi igual para todos. O Índice de Custos de Trabalho (ICT), publicado esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística mostra um país a duas velocidades. O sector público não se pode queixar: trabalhou menos horas e teve uma melhoria salarial; para os trabalhadores do sector privado, foi ao contrário.

Contabilizando a totalidade dos trabalhadores, no primeiro trimestre de 2019 houve um aumento de 0,7% nos custos salariais e de 2,1% em outros custos. Os números sugerem que as empresas continuaram a pagar mais por cada trabalhador, não necessariamente em melhores salários, e que este efeito foi compensado pelo aumento de horas de trabalho, mais 1,2% do que no mesmo trimestre do ano passado.

Vistos mais de perto, os números do INE mostram forte divisão entre público e privado. Os salários baixaram nos sectores da indústria e da construção, tendo aumentado de maneira residual nos serviços. Por outro lado, houve um aumento significativo nos sectores de actividade onde a administração pública é dominante (neste caso, salários a subir 3,3%).

A área dominada pelo emprego público também foi o único sector onde se verificou uma redução no número de horas trabalhadas. Ao mesmo tempo, na indústria, os custos salariais caíram 1,9%. Segundo o INE, estas disparidades são parcialmente explicadas pelo «pagamento faseado associado ao descongelamento de carreiras, que foi iniciado em 2018 e ainda está em curso».

No quarto trimestre do ano passado, Portugal foi o terceiro país da UE com maior aumento dos custos de trabalho. O número nacional atingiu 10,3%, contra 2,8% de média europeia. A situação relativa pode ter melhorado nos primeiros três meses deste ano, mas o elevado valor de 2018 só teve comparação com o de países do leste europeu (Roménia, Lituânia, Hungria ou Eslováquia, entre outros) onde o crescimento económico foi superior ao português e o desemprego menor, resultando em que o agravamento dos custos de trabalho não comprometeu a competitividade ou o emprego.

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