Sofisticado com linhas espaciais

Podemos estar ofuscados com a crescente moda dos SUV, mas é inegável que os utilitários continuam a ser um dos segmentos mais procurados, e em franca expansão, especialmente em ambiente urbano.

Felizmente, vivemos tempos de bonança, com a chegada de novas gerações. Fomos para a estrada com o SEAT IBIZA 1.6 TDI CR 115 CV XCELLENCE, numa versão Magenta Mystic. A cor estranha-se, depois entranha-se. E muito. Faz furor por onde passa.

 

O Seat Ibiza é um dos utilitários de referência do mercado. No modelo ensaiado, onde se denota uma grande aposta na tecnologia — não tanto no carácter desportivo, destacam-se também os acabamentos. De mencionar ainda a capacidade da bagageira: uns generosos 355 litros.

 

Voltando à tecnologia, tem todas as funcionalidades multimédia desejáveis, incluindo boletins de tráfego. Também permite controlar quase todas as funções do automóvel. Basta conectar o telemóvel a uma das entradas USB. E, debaixo do navegador, uma boa surpresa: um carregador de bateria touch. Inclui ainda controlo de cruzeiro adaptativo (ACC), que se configura atrás do volante, sem necessidade de ir aos pedais.

Decisivo neste segmento é o consumo. A SEAT anuncia uma média de 4,7 l/100 km e foi conseguida, o que é de salutar

Na sua quinta geração, este modelo tem tudo para ser um sucesso de vendas; não fosse a marca espanhola ter mais de 30 anos de uma carreira comercial recheada de números recorde. Resultados que têm aumentado o estatuto do Ibiza no seio do Grupo Volkswagen.

 

Fora e dentro, não há como ficar indiferente às linhas sofisticadas. No exterior, as laterais são bastante vincadas, e a junção dos painéis está muito bem conseguida. A frente não engana, é tipicamente Seat, com grelha larga. Porém, ao contrário das expectativas, a carroceria não cresceu, tendo, inclusive, perdido 2 mm de comprimento para a anterior versão, medindo agora 4.059 mm. Também está mais baixo 1 mm (1.444mm). A traseira foi o que menos mudou entre as várias gamas.

Incontornável destacar o opcional sistema de som BEATS AUDIO, sobretudo para quem não prescinde de boa acústica. É extraordinário

A elegância deste XCELLENCE é o que mais se destaca; talvez tenha sido pensando mais para o público feminino. Já o habitáculo tem uma excelente ergonomia e boa acessibilidade aos comandos, sendo que grande parte destes estão disponíveis no ecrã táctil central de 8’’, mas boa parte das funcionalidades está também acessível através do volante, nomeadamente as principais funções do computador de bordo.

 

Todavia, o volante peca por ser demasiado estreito, e a qualidade dos materiais no habitáculo podiam ser menos duros ao toque, mas, devido à solidez da montagem, anulam-se assim os ruídos parasitas. Quanto aos bancos, à boa maneira germânica, não são demasiado moles nem excessivamente duros; são confortáveis q.b.

 

É um topo de gama que se adequa a quem procura um desportivo com acabamentos requintados e que valoriza o conforto, embora tenha sentido a suspensão dura, sobretudo em pisos irregulares; o que não invalida um bom comportamento e estabilidade.

 

Quando ao interior, serve bem as exigências de uma família. A mala tem boa capacidade, há espaço suficiente de pernas para dois adultos nos bancos traseiros, embora não tanto para a cabeça: é um carro baixinho, o que se sente ainda mais nos lugares dianteiros.

 

Variando entre a cidade e a auto-estrada, senti uma boa aceleração. Desenvolve muito bem dos 0 aos 100 km, arranca rapidamente com vontade. Vem com uma caixa manual de seis velocidades e quatro modos de condução distintos — Eco, Normal, Sport e Individual, comutáveis através da tecla Mode. O eixo da frente responde bem e prontamente, e tem uma boa dinâmica. Decisivo neste segmento é o consumo. A SEAT anuncia uma média de 4,7 l/100 km e foi conseguida, o que é de salutar.

 

Incontornável também falar de um opcional que considero quase obrigatório, pelo menos para quem não prescinde de boa acústica. O sistema de som BEATS AUDIO — amplificador 300W debaixo do banco do condutor, seis altifalantes premium e um subwoofer — é extraordinário. Repito: extraordinário.

 

O tecto panorâmico, embora grande, é dispensável. A ponderar como opcionais fundamentais está o cruise control adaptativo, sobretudo quando nos preparamos para muitos quilómetros de auto-estrada. O pacote de Inverno, que inclui estofos aquecidos, pode parecer capricho, mas sabe muito bem. Optar pela tecnologia Full Link também é uma excelente escolha; é muito intuitivo. De referir também o ecrã táctil, com incremento de grafismo e qualidade. Além disso, tem uns dos melhores sistemas de sistema infotainment que já experimentei.

 

Conduzir este Ibiza foi como estar aos comandos do Lambda Class Imperial Shuttle, provavelmente a nave espacial mais sofisticada de sempre de todos os filmes de Sci Fi. Recordados da “Guerra das Estrelas: O Regresso de Jedi”? É esse mesmo.

 

Preço base da versão ensaiada (sem opcionais): 25.622 euros.

 

Artigo publicado na edição n.º 12 do DIA15

 

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