Theresa May sai em lágrimas e Brexit avança para nova fase

Corrida à liderança conservadora tem como favorito o polémico Boris Johnson

Theresa May anunciou esta sexta-feira o calendário da sua saída do poder, abrindo caminho a uma luta pela liderança do Partido Conservador. Numa declaração ao país, que terminou em lágrimas, a primeira-ministra britânica reconheceu não ter concretizado o Brexit e lamentou não ter conseguido aprovar o acordo de saída que negociou com Bruxelas. A queda do Governo ocorreu um dia depois dos britânicos terem votado em eleições europeias cujos resultados ainda não são conhecidos, mas que foram certamente desastrosos para os partidos dominantes. May sairá no dia 7 de Junho, após as comemorações do aniversário do Dia D. Na semana seguinte, começa a corrida à liderança do Partido Conservador.

A situação da primeira-ministra tornou-se insustentável após ter sido anunciada a intenção de levar mais uma vez ao parlamento o acordo de saída negociado com Bruxelas e que Westminster já rejeitou por três vezes. Procurando aprovar o acordo, May acenou à oposição com a possibilidade de um segundo referendo, ideia que é anátema para parte significativa do seu próprio partido. A manobra fracassou completamente, provocando uma rebelião aberta de numerosos deputados conservadores e a demissão de Andrea Leadsom, a ministra responsável pelos assuntos parlamentares e uma das peças fundamentais do Governo.

O que se segue é uma luta pelo poder dentro do Partido Conservador, com os políticos extremamente alarmados com os resultados das eleições europeias, que serão anunciado no domingo, esperando-se um resultado desastroso para o partido. O novo líder será escolhido através de um processo de eliminação, que dependerá do número de candidatos. Em cada votação dos deputados eleitos, será eliminado o candidato que tiver menos votos, até haver apenas dois. A velocidade do processo dependerá igualmente do número de desistências. A escolha pode estar concluída em Junho ou estender-se um pouco mais, mas entretanto haverá uma distracção, a visita de Donald Trump ao Reino Unido, no início de Junho, que promete aumentar a agitação.

O candidato favorito, pelo menos nas bases do partido Conservador, é Boris Johnson, que foi ministro dos Negócios Estrangeiros e presidente da câmara de Londres. Destacado defensor do Brexit, Johnson é uma figura controversa, biógrafo de Winston Churchill, a sua referência, que imita frequentemente. Se fossem as bases a votar, venceria facilmente, mas pode enfrentar obstáculos e acabar por ser derrotado por uma alternativa com menos anti-corpos.

Os candidatos à liderança que podem chegar à linha da meta incluem, entre outros, David Davis, Dominic Raab ou Penny Mordaunt. Os rumores incluem outras figuras, por exemplo, o ministro dos Negócios Estrangeiros Jeremy Hunt, o ministro do Interior Sajid Javid, Andrea Leadsom e ainda Rory Stewart ou Michael Gove.

O próximo primeiro-ministro enfrentará a feroz oposição dos defensores do segundo referendo e arrisca-se a ser forçado a uma eleição geral antes de conseguir controlar o poder. Se for Boris Johnson, o novo chefe do Governo tentará acelerar o processo de saída, negociando com os europeus uma alternativa ao plano de May. Se isso não for possível, precipitará o Brexit sem acordo antes da data limite, 31 de Outubro.

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