Três eleições e um novo ciclo

Europeias, regionais na Madeira e legislativas. Três eleições. 2019 vai ser um ano agitado. Entusiasmante, cansativo, curioso e preocupante.

 

Até o Presidente da República, numa mensagem de Natal, demonstrou preocupação: «O último trimestre de 2018 fez avultar a sensação de corrida contra o tem­po, em busca de metas antes do período eleitoral que se prolongará praticamente por todo o ano de 2019.»

 

O que está em causa neste ciclo eleitoral?

Nas europeias de 26 de Maio será curioso assistir ao discurso dos vários partidos. Muitos tentarão fazer o trampolim para as legislativas. Mas não podem deixar de ter um discurso sobre a Europa. Não podem deixar de afirmar a sua visão da União Europeia e das suas instituições. Tudo como está ou uma Europa refor­mada? Mais ou menos Europa? Na União ou fora dela? Com euro ou de volta ao escudo? Estas europeias serão o primeiro acto eleitoral para dois novos partidos, curiosidade adicional.

 

A 22 de Setembro, teremos as eleições para a As­sembleia Legislativa da Região Autónoma da Madei­ra. Adivinha-se uma ponte aérea de personalidades “continentais” a caminho da campanha. Muitos apostam que pela primeira vez o PSD não sairá ven­cedor, sendo esse o grande foco de curiosidade dessas eleições. Arrisco que iremos assistir a uma recom­posição do Parlamento Regional, com a entrada de novas forças políticas.

 

Enfim, a 6 de Outubro, teremos eleições legislativas. Aqui a curiosidade estará antes de mais na composição do Parlamento e só depois nas possíveis conjugações partidárias que permitirão soluções governativas.

 

Em 2015 iniciou-se um novo ciclo da democracia portuguesa: não governa quem ficou em primeiro. Até esse ano, se uns quantos votavam por convicção, outros votavam num mal menor.

 

Olhavam as sondagens e, para evitarem a vitória de um partido, votavam noutro que lhe fizesse frente. Em 2019 o “mal menor” não fará sentido, o voto será mesmo convicto. O eleitor pode finalmente escolher aqueles que o fazem sentir verdadeiramente represen­tado na Assembleia da República. Por isso, ao que tudo indica, em 2019 haverá um Parlamento mais represen­tativo e mais equilibrado.

 

Isto será um forte contributo para que Portugal deixe de ter sucessivos governos baseados em falsos consensos que têm sido convenientes só para alguns, concentrando todas as prioridades no Estado enquan­to esquecem a sociedade. Este ciclo pode estar quase a chegar ao fim.

 

Para que isso se torne possível é preciso ter na As­sembleia da República a voz de um partido que repre­sente a renovação. Que combata a falta de transpa­rência e a corrupção. Que defenda intransigentemente a redução do Estado. Que defenda a liberdade de escolha do cidadão, nomeadamente na educação e na saúde. Um partido que não tenha dúvidas em defender a permanência de Portugal na União Europeia. Um partido que defenda menos Estado e mais liberda­de, menos centralismo e mais responsabilidade, em Lisboa ou em Bruxelas. ­

 

Opinião de Rodrigo Saraiva, fundador da Iniciativa Liberal

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