Uma história para John Le Carré

A detenção do fundador da WikiLeaks, Julian Assange, mostra um conflito entre o poder dos Estados e a informação sem limites.

Ao fim de sete anos de refúgio na embaixada do Equador em Londres, o co-fundador da Wikileaks, Julian Assange, foi detido pelas autoridades britânicas, que o acusam de violar as condições da fiança imposta em 2012. A detenção tornou-se inevitável a partir do momento em que o Equador retirou o direito de asilo, justificando a medida com o desrespeito das condições desse estatuto, nomeadamente o princípio da não interferência nas relações entre Estados. O caso era uma pedra no sapato para a pequena nação sul-americana, que não podia resistir eternamente às pressões das potências.

A história de Assange parece tirada de um livro de John Le Carré, com este protagonista de romance, elementos de intriga internacional e a sensação de estarmos perante conspirações em larga escala e jogos de poder demasiado opacos. O caso também coloca interrogações sobre os meios de comunicação contemporâneos e a sua relação com os interesses nacionais, num mundo em que a informação circula sem fronteiras, mas onde os Estados continuam a exercer a sua influência.

Assange é procurado pela justiça norte-americana, que não lhe deverá perdoar a divulgação de informação militar e de correspondência diplomática sensível. A Wikileaks interferiu nas eleições americanas, é acusada de ter sido instrumento da espionagem russa, mas tornou-se também um símbolo da liberdade digital e da ideia de que todos os segredos das nações podem e devem ser divulgados. Assange será porventura extraditado e vamos assistir a novos capítulos de um enredo que testa os limites da liberdade de expressão e do poder dos Estados contemporâneos.

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