Uma ideia fora da caixa para reduzir o efeito de estufa

Apesar de ter baixa concentração na atmosfera do planeta, o metano contribui para um sexto das alterações climáticas. Uma equipa de cientistas propõe converter metano em dióxido de carbono, que é muito menos perigoso para o clima.

A discussão política sobre alterações climáticas centra-se acima de tudo na redução das emissões de dióxido de carbono, mas as abordagens científicas são um pouco mais complicadas. Esta semana foi divulgada uma ideia que, a ser concretizada, pode resolver um sexto do efeito de estufa total no planeta, transformando metano em dióxido de carbono, ainda por cima de maneira lucrativa. Sendo fora da caixa, provavelmente esta ideia vai produzir grande controvérsia.

A investigação foi conduzida por uma equipa de cientistas da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Os cientistas propõem uma técnica simples, que consiste em fazer passar grandes quantidades de ar através de uma instalação contendo minerais porosos, zeólitos (aluminosilicatos hidratados), que em combinação com outros catalisadores, poderão converter moléculas de metano em moléculas de dióxido de carbono. Qual a vantagem? A redução global do efeito de estufa.

O metano é 84 vezes mais potente do que o dióxido de carbono na sua capacidade de aprisionar o calor do sol, tendo em conta que é muito mais estável na natureza. Sendo um gás com escassa concentração na nossa atmosfera, (722 partes por mil milhões), o facto é que as actividades humanas aumentaram substancialmente a sua presença. As mudanças climáticas, ao derreterem o permafrost das regiões setentrionais do planeta, estão a libertar vastas quantidades adicionais de metano, mas a maior fatia deste gás é produzida pelos rebanhos de gado que alimentam a humanidade. O elevado consumo de carne de vaca é uma das mais relevantes origens de gases com efeito de estufa, neste caso metano, mas há outras fontes, por exemplo, as plantações de arroz.

As concentrações de metano estão hoje num nível que supera em duas vezes e meia aquele que existia antes da Era industrial. Converter essas 3,2 mil milhões de toneladas adicionais de metano em dióxido de carbono (cuja concentração na atmosfera é de 405 partes por milhão) resolvia um sexto do efeito de estufa global, convertendo o gás mais perigoso (que permanece mais de 20 anos na atmosfera) em escassos meses de emissões de um gás substancialmente menos perigoso, que a natureza captura parcialmente. Os cientistas de todo o mundo têm procurado desenvolver técnicas que permitam a captura artificial de dióxido de carbono, mas por enquanto as ideias que têm surgido não são suficientes para se regressar aos níveis de emissão pré-industriais.

A ideia tem apesar de tudo alguns problemas: é preciso energia para mover as ventoinhas que fazem circular o ar e ainda para aquecer o metano capturado. Segundo os autores, estas fábricas, a serem construídas, poderão ser lucrativas.

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