Uma relíquia no Alto Alentejo

Ladeado por planícies verdejantes, chegamos a um portão que nos leva por uma estrada de terra batida. Uma imponente torre espreita ao longe, fazendo lembrar um farol. Eis-nos chegados à Torre de Palma Wine Hotel, no coração da região vinícola do Alto Alentejo, em Monforte.

Os romanos, a Ordem de Avis, a Coroa Portuguesa e até uma cooperativa agrícola pós-revolução de 1974 passaram por aqui. A primeira fase começou no século I, quando os romanos habitaram estas terras. Aqui se mantiveram até ao século V. Destes tempos destaca-se a família Basilii, que se dedicava à produção de vinho, azeite e à criação de cavalos. Acredita-se que o cavalo Lusitano tem aqui a sua origem.

A segunda fase teve início em 1277, quando ali se estabeleceu a Ordem de Avis. Em 1338, a Torre de Palma passou a pertencer à Coroa Portuguesa, mais precisamente a Pedro Afonso, filho bastardo de D. Dinis, seu filho preferido e educado pela Rainha Santa Isabel. Recebeu as terras das mãos do seu irmão, o Rei D. Afonso IV. A Torre de Palma pertenceu assim à Coroa Portuguesa durante mais de 500 anos. Só em 1863 um abastado comerciante de Lisboa adquiriu a propriedade e arrendou-a à família Costa Pinto por cerca de 80 anos. Esta família dedicava-se à produção de cereais, à criação de gado e ao azeite. Os populares falam de uma expressão que se usaria naquele tempo — «vais receber o de palma» — para designar o valor justo pelo trabalho.

A terceira fase da história começa com a revolução em 1974, após a saída da família Costa Pinto em Dezembro de 1973 e a sua posterior ocupação pelos trabalhadores. Os terrenos transformaram-se na primeira unidade colectiva de produção do Alentejo, ficando entregues aos trabalhadores durante vários anos.

Leia o artigo na íntegra na edição n.º 13 do DIA15.

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