Venezuela: morte suspeita de Fernando Alban

Acusado de ter participado num ataque contra Nicolas Maduro no passado mês de Agosto, o politico venezuelano estava detido. As autoridades dizem que se suicidou, mas nem todos acreditam.

Fernando Alban estava detido desde sexta-feira na sede do Serviço Bolivariano de Inteligência, a polícia secreta venezuelana. Estava acusado de ter participado do ataque com dois drones contra o presidente venezuelano, no dia 4 de Agosto, quando este discursava durante uma parada militar na capital venezuelana.

Albán era vereador no município de Libertador, em Caracas, considerado a sede de todos os poderes públicos e território considerado bastião do poder governante.

Segundo a versão oficial, na segunda-feira Alban terá pedido para ir à casa de banho, atirando-se de seguida do décimo andar do edifício. O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, que falou à televisão pública VTV a explicar o que terá acontecido também confirmou esta versão, adiantando que vai ser aberta uma investigação completa.

No entanto, o partido de oposição ao governo de Nicolas Maduro contesta essa versão.

O fundador do partido Primeiro Justiça, atualmente exilado na Colômbia, veio dizer que Alban estava a ser pressionado para denunciar pessoas mas que não cometeria suicídio uma vez que, segundo referiu a Renascença, “era uma pessoa de profunda convicção católica e todos os que falaram com ele viram-no sólido, forte e com convicções”.

Em comunicado, o Primeiro Justiça assegurou que o político foi “assassinado às mãos do regime de Nicolás Maduro”, recusando aceitar a tese de suicídio.

Júlio Borges, o fundador do partido afirmou que a “Venezuela não pode ser um país de torturadores, de violência, de morte e de violações dos direitos humanos. Tem de ser um país livre, democrático, de progresso, e não a miséria em que Nicolás Maduro e a sua gente a tornou”.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos já anunciou que vai  investigar a morte de Alban como parte do mandato atribuído pelo Conselho de Direitos Humanos para investigar os abusos cometidos na Venezuela.

A porta-voz do Escritório, Ravina Samadasani, disse hoje durante uma conferência de imprensa que esta morte será um dos tópicos incluídos na investigação sobre as violações dos direitos humanos a ser realizado pela entidade sobre o país, a pedido do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

A porta-voz explicou também que a organização já pediu à Venezuela acesso ao país e que ainda está a aguardar uma resposta, apesar de “as linhas de comunicação” estarem sempre abertas.

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